
Ele era filho ilegítimo de uma criada polonesa, que trabalhava no Vaticano. Frequentava cassinos da Riviera, onde se fazia passar por um príncipe russo. Acusado de tentar furtar a Mona Lisa do Louvre, alistou-se na infantaria francesa na I Guerra Mundial. Ferido na cabeça por um estilhaço de granada, foi convalescer em Paris, onde flanava nos jardins para descansar e escrever poemas.
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Guillaume Apollinaire influenciou pintores e os poetas de seu tempo. Sua poesia oscilou entre o Modernismo e o Classicismo. Fez parte do movimento avant-garde, que antecipou a aparição dos simbolistas, como Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Arthur Rimbaud.
Seu poema “Pintores Cubistas”, de 1913, era lido e relido por figuras como Pablo Ruiz Picasso, Marc Chagall, Max Jacob, Eric Satie e Marcel Duchamp. Quando sua peça La mamelles de Tirésias foi encenada como ópera disseram que era um acontecimento cultural e uma manifestação surrealista, que ainda estava por vir.
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Apollinaire se considerava um filho mimado do lado esquerdo do Sena. Tinha prazer em ver os velhos prédios decadentes, arruinados pela guerra, serem demolidos e substituidos por praças e espaços verdes. Que apreciava com gosto em suas caminhadas pelo quadrilátero formado pelas ruas Visconti, Seine e de l’Abbaye.
Mas o seu refúgio predileto era a pequena praça ao lado do campanário da igreja de Saint-Germain-des-Prés. Se chama Laurent Prache e ainda conserva alguns encantos que seduziram o poeta. Como as ruinas – tomadas pela hera – da Chapelle de la Vierge, do século XIII, uma das mais antigas igrejas de Paris, incendiada pelos jacobinos durante a Revolução Francesa.
Em outro ponto da praça se encontra um pequeno busto, de autoria de Pablo Picasso. “La Poésie” retrata Dora Maar, figura notável das dos anos dourados, amiga de Apollinaire e por muitos anos amante e musa do gênio catalão.
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Diante da praça ainda resiste La Hune, a antiga livraria que era ponto de encontro de gerações de artistas e escritores, como Jacques Prévert e André Malraux.
É conhecida pelas suas edições raras de arte e poesia, como o exemplar que exibia na vitrina, uma edição clandestina dos Poèmes secrets à Madeleine, de Apollinaire. O livro tem poemas que louvam os encantos de Paris; um dos mais conhecidos celebra a Ponte Mirabeau, famosa como a “Ponte dos Amores Perdidos” e tema musical na noite parisiense:
“Sob a ponte Mirabeau passa o Sena e também
nossos amores. Lembre que a alegria
sempre chega depois da dor.
Deixe a noite chegar e explicar
Os dias passam e eu continuo.
Vem a noite e soa a hora, mas o amor não acontece.
Sob o Mirabeau corre o Sena”.
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