Um dos incidentes tidos como dos mais hilariantes já ocorridos no rádio, contado e recontado “miles” de vezes… não aconteceu. É a história da vaca, surgida de repente em uma cena de novela, na velha Rádio Farroupilha, a P.R.H.2.
Segundo o mito, em tempos pré-históricos, anteriores ainda ao advento do gravador de fita, quando o radioteatro era transmitido ao vivo, Walter Ferreira protagonizava cena de desentendimento com Ernani Behs. No momento em que dissesse – “Vou te matar, canalha!” – deveria soar um tiro. O que saiu, entretanto, por ter o sonoplasta errado a faixa do disco de efeitos, foi o mugido de uma vaca.
Com presença de espírito, Walter Ferreira tentou consertar o desastre: “Não adianta te esconderes atrás da vaca, covarde!” Mas, passando-se a cena no 8º andar de um prédio de apartamentos, a presença da vaca era absurda. As gargalhadas anteciparam o encerramento do capítulo.
Na metade dos anos noventa, ambos exercendo cargos na diretoria da Associação Riograndense de Imprensa, manifestei a Ernani Behs a minha estranheza. Integráramos o elenco da velha PRH-2 na mesma época e eu só tinha sabido do caso muitos anos depois.
Lembrava-me até de quando e por que os tiros de pólvora seca foram substituídos pela faixa gravada em disco de acetato. Além de enfumaçarem o estúdio, havia as molecagens do contra-regra Moacyr Ribeiro. Ele sempre dava jeito de arrancar gritinhos da radioatrizes, fazendo o tampão do cartucho passar rente às suas pernas.
Ernani me contou o resto. O elenco tinha ensaiado o capítulo da novela e punha conversa fora, enquanto esperava o momento de ir para o ar. Veio à baila o assunto dos efeitos gravados e alguém – terá sido Ivan Castro – observou: “Imagina se um sonoplasta bêbado troca o tiro pelo mugido de uma vaca. O que vocês fariam?”.
Foi então que Walter Ferreira falou: “Eu dizia – não adianta te esconderes atrás da vaca, covarde!”.
Ivan completou: “E se a cena fosse em um apartamento do oitavo andar?”
Todos caíram na gargalhada e foram trabalhar.
Mais interessante do que a anedota em si, se realmente tivesse ocorrido, foram as voltas que deu pelo mundo. Cândido Norberto me contou que, estando no Egito, em cobertura jornalística, ouviu a história como se tivesse acontecido na Rádio do Cairo.
Como diria algum peão das nossas estâncias – já é uma viajada para uma vaca!

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial