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Uma vírgula, fajutos e crédulos

Agora mesmo está circulando um texto atacando o “Big Brother Brasil”, com a minha assinatura, que não é meu. Isso tem se repetido tanto …

Agora mesmo está circulando um texto atacando o “Big Brother Brasil”, com a minha assinatura, que não é meu. Isso tem se repetido tanto que já começo a me olhar no espelho todas as manhãs com alguma desconfiança. Esse cara sou eu mesmo? E se eu estiver fazendo a barba e escovando os dentes de um impostor, de um eu apócrifo? E – meu Deus – se esta crônica não for minha e sim dele?! Verissimo

Em Blogmania, minha última coluna, cito “o estupro que a Academia Brasileira de Letras perpetrou contra o nosso prosaico ‘etc.’ -, do Latim et cetera (e coisas) – oficializando o uso de vírgula antes da estuprada, etc., etc.” 

Meu amigo, o publicitário carioca Isnard Manso Vieira perguntou: Mario, querido, conte para mim, pelo amor de Deus, eu não sabia disto. A ABL oficializou o uso da vírgula depois de etc.? Quando foi isto? Quem foi o autor do pecado? Onde nós estamos? Agradeço o esclarecimento. Abraços do Isnard.

R: Inda que eu use o idioma como ferramenta, ele não é minha especialidade, aliás, não sou especialista em nada e, se houver exceção, é para a amizade. 

Isnard, essas vírgulas que coloquei foram brincadeiras minhas, pois o ponto em etc é por ser, quase sempre, o final da frase. Meu problema mesmo é com a vírgula, antes do etc, pois sendo a sigla do Latim para et cetera, esse et elimina a vírgula. Agora a explicação “deles”: “A palavra etc é abreviatura da expressão latina et cetera que significa e os restantes/ e outros e assim sendo, não há necessidade de se colocar vírgula antes dessa palavra. O PVOLP, ou seja, Pequeno Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa, indica o uso da vírgula nesse caso, pois considera que há um grande distanciamento de sentido entre a abreviatura do termo e o seu real significado. Ocorre então que as pessoas se dividem quanto ao uso dessa pontuação, mesmo entre os gramáticos – uns usam, outros não”.

Assim como não sou especialista em Português, também não sou em Lógica, mas estudei a matéria.

Se você escreve “lápis, caneta, caderno etc.” você está explicitando que as outras coisas são material escolar.

Se você escreve “lápis, caneta, caderno, etc.” seja o que for, falta um “e” antes do etc e não uma vírgula, conforme nossa escrita tradicional. Se o etc ficou longe do sentido original, manda o bom senso que se escreva “lápis, caneta, caderno e coisas semelhantes”, excluindo a vírgula ultrajante.

Usando do direito etário de resmungar mais um pouco, nas últimas duas semanas recebi quatro ou cinco cópias de um pseudotexto do Verissimo, conforme pretendia seu criminoso farsante que, como muitos outros colegas de falsa identidade (o crime de falsa identidade é figura tipificada no artigo 307 do Código Penal Brasileiro), pretendia dar multiplicação à leitura do seu texto. E conseguiu.

Ainda que de identidade desconhecida, o farsante multiplicou o número de leitores que ficou sabendo que há na praça mais um escritor de merda, além de leitor que desconhece Verissimo, pois quem o conhece já saca, de cara, pela escolha do assunto – Big Brother – que não se trata do Luis Fernando, mui digno filho da Mafalda e do Erico e, para o meu paladar, o melhor cronista atuante deste país.

Devolvi aos meus amigos remetentes o texto apócrifo, avisando ser um texto “paraguaio”. Dias depois – coisa rara – o próprio escreveu uma crônica sobre o crime sofrido, brincando com a dúvida de ser ele, ele mesmo.

Antes, eu já morrera de rir, mesmo sozinho, imaginando o Verissimo, de camisola, pano cobrindo a quase careca, dando conselhos numa revista de leitores iletrados, conforme o texto que recebi: “Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mario Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós.. , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.”

Inda que, por outros motivos, Jabor, vítima costumeira de outros criminosos, escreveu: “Hoje em dia as coisas têm vida própria, e seus criadores não controlam mais os produtos.” É o caso da Internet por onde recebo também outros textos “do Verissimo”, “do Jabor”, “do João Ubaldo” e “doutros”, ou seja, de merda em merda, se você não der a descarga, a latrina enche.

Inté, mas nem sei que nome assino.

Em tempo: nada do que escrevi refere-se às opiniões do farsante sobre o BB, que nunca vi e nem pretendo ver.

Vitrine (comentários dos leitores) 

Sempre Jovem Mário, alegria e obrigado. Moisés Andrade, arquiteto, Olinda, PE 

Muito engraçadinho, gostei, dry. Maria Aurea, psicóloga, Rio 

Mário, merda, deleta meu e-mail. Sou religioso e peco quando leio seus textos. Você desperta meus sentimentos de inveja… Roberto Castro, empresário, Rio

Muito bom, Mario.

Mais uma crônica muito boa de se ler e recomendar aos amigos – como o faço agora. Abraços e até a próxima. Marcelo Torres, cronista, Brasília

Adorei esta coluna, Mario! É uma pena mesmo que o jornalismo tenha se tornado um mero informante da desgraça contada incompleta e/ou deturpada. O jornalismo já foi, há até bem pouco tempo, uma profissão respeitada quando o profissional podia escrever sobre qualquer assunto porque se preparava por respeito ao leitor. Ah! E sabia escrever!

Escondidos atrás da desculpa esfarrapada de que o povo só quer ver sangue e que precisam vender para continuar gerando empregos, sacrificam a responsabilidade de proteger a veracidade dos fatos por respeito ao leitor quando não cumprem a sua função social de contribuir com o crescimento de um povo. Eu não tenho tempo pra ler ficção e nem gosto. A mim, já bastam os enlatados americanos violentos. Ao ler um jornal, me detenho na seção de economia, artes e ciência.

Hoje aprendi sobre Olimpíadas com um jornalista de verdade, bjx de saudades. Circe Aguiar, professora, Rio

Mario querido, tu és inclemente (sic) com teus pares da mídia (sic). Eles merecem, eles merecem… Um abração do teu fã e amigo. Luiz Fernando (Di Vernieri), executivo, Campinas, SP

Olá Mario, amigo querido, adorei a última crônica, V. continua ágil, sarcástico, contundente, ácido,

às vezes um pouco pessimista, mas sobretudo muito lúcido. Beijos. Welles (Costa), produtor gráfico, Rio

Ao pé da minha coluna, o “recente” amigo há mais de 50 anos, José Antonio Moraes de Oliveira, o Killer, comentou lá de Gramado, RS:

(Des) informação – “Caro Mario, com alívio, verifico em tua crônica que não sou o único inconformado e impaciente leitor dos cacoetes e simplificações de nossos coleguinhas da mídia. Sou um saudoso do tempo em que se lia a notícia do fato e, ao lado, um comentário ou uma análise do antes e do depois. Nunca mais! Ontem, na Casa Rosada, as Madres da Plaza de Mayo entregaram um panuelito blanco à nossa presidente. Foi o suficiente para os fotógrafos se alvoroçassem, pedindo para ela vestir o lenço. Que foi colocado discretamente na bolsa. O que vale – o fato ou a photo opportunity? Pão ou Circo?

Autor

Mario de Almeida

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