Exagero tem hora e local. No teatro, por exemplo, fica muito bem. A platéia está longe, e é preciso exagerar para que ela perceba minimamente o que se passa no interior do ator. Na tevê e no cinema, entretanto, não há necessidade de grandes excessos. As câmeras estão coladas nos atores e qualquer pensamento, expressado até mesmo pelo suspirar de alguém, passa direto ao espectador, sem problemas.
Dito isso, Fu Lana agora passa a lamentar (que mulherzinha rancorosa) alguns curtas que passam aqui na tela da terrinha. Os atores, em geral, experienciados teatreiros, não entendem que qualquer manifestação pode ser sutil, e que mesmo um papel coadjuvante terá a força de um protagonista se executado com a devida proporção na trama. Devem ser as poucas oportunidades oferecidas a atores no Rio Grande do Sul, o que faz com que eles transformem rápidas cenas de piadinhas naturalistas em histriônicas participações. A tais situações, Fu Lana destila seu desprezo. Afirma, do alto de sua inexperiência, que aos diretores nesses casos faltam pulso e decisão. Dirigir significa tomar a rédea e deixar, sim, que a contribuição do ator se some ao enredo e à proposta e, não, que deturpe e destrua a costura do trabalho.
Fu Lana vê nas Histórias Curtas da RBS TV uma prova de que cinema é muito complicado, mas muito mais complicado do que qualquer pessoa possa imaginar. A quantidade de gente altamente capacitada envolvida desde a proposição dos projetos, com a realização do concurso, até a realização e divulgação dos curtas vencedores, deveria resultar em soluções pra lá de geniais. No entanto, os leigos que ficam do lado de cá da telinha só têm a reclamar. Tal como acontece no futebol, todos temos uma receita para o time, sem bater nem ao menos meia bolinha. É fácil, diríamos nós: na última cena, o ator hipnotizado pela cabeça do Deus indiano poderia simplesmente se dirigir às gaiolas dos pássaros, balbuciando o mantra “asas da liberdade”, para dar uma sutil idéia de que libertaria os bichinhos e não precisaria que o ator ficasse cacarejando e gritando, talvez no intuito de atrair mais atenção. O artista, na verdade, sempre procura se diferenciar, abrir mais espaço para si, e cabe ao diretor cortar-lhe as asinhas.
Histórias Curtas é um projeto maravilhoso. Dá a chance ao desenvolvimento e à experimentação. Educa o povo que trabalha e aqueles babacas que ficam dando pitacos do lado de cá da tela. Fu Lana fica imaginando se, antes de irem ao ar, tais curtas passassem por uma sessão opinativa, para colher as opiniões dos que estão de sangue doce em relação ao trabalho. Talvez tivessem tempo de corrigir alguns erros. Com uma enquete sobre os defeitos dos curtas (os telespectadores, de tanto assistir à televisão, sabem do que gostam e o que poderia ficar melhor), o resultado poderia trazer novas possibilidades de acertos e uma evolução, enfim, na qualidade final dos trabalhos.
Que o projeto cresça e apareça ainda mais. Sem histrionices teatrais em cenas digitais. Que tal uma história real, natural e muito engraçada? Difícil, mas não impossível. Com bons roteiristas, diretores bem resolvidos e atores menos egocêntricos.

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