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Velha cantiga

As grandes reformas que salvarão a pátria e destravarão o Brasil, para fazê-lo crescer como nunca na história deste país, já estão em tratativa, …

As grandes reformas que salvarão a pátria e destravarão o Brasil, para fazê-lo crescer como nunca na história deste país, já estão em tratativa, segundo os jornais. São três: previdência, tributos e política, não necessariamente nesta ordem por sua importância, urgência ou encaminhamento, mesmo porque sairão dentro do velho figurino nacional, de mudar tudo o que não mude nada.

Da reforma política, já tem se falado com abundância. Uma malandragem aqui e outra acolá, para perpetuar o reinado dos raposões, já está em andamento com o voto de lista.

Para o resto, previdência e impostos, o governo anuncia apenas “um esforço concentrado de gestão”, seja o que isso signifique, para combater a fraude, o desperdício e o esbanjamento, com economia de bilhões de reais.

Este “esforço de gestão”, entre aspas, não é coisa nova. Já tinha sido alardeado na campanha eleitoral que antecedeu o primeiro mandato. Ao fim desses primeiros quatro anos, porém, sem somar mensalões e ambulâncias, só a despesa com passagens aéreas subiu para mais de R$ 1 bilhão. Quase nada do dinheiro foi gasto pelo Presidente e seus ministros na tarefa de governar. Foram outras pessoas, cujo trabalho se intensificou, por coincidência, em setembro, às vésperas das eleições.

Pode-se adivinhar o que vem pela frente, por mera semelhança.

É uma velha cantiga.

***

Fosse permitida a cobrança de tarifa por espirro, os banqueiros no Brasil empestariam as suas agências com generosas doses de rapé para extorquir ainda mais dinheiro da conta de seus clientes.

Vai para o noticiário dos jornais, agora, a exigência dos promotores federais de São Paulo, sustando a cobrança de 50 centavos por cheque de pequeno valor, emitido pelos correntistas.

Não há um critério, entre os banqueiros, para definir o que seja um cheque de pequeno valor. A coisa parece ter relação com a cara do freguês: uns o limitam em 20, outros em 30 e até 40 reais.

Os regulamentos do Banco Central só prevêem duas tarifas. A primeira é sobre a substituição de cartões de crédito fora da data do vencimento. Tem banqueiro malandro, sem que os clientes percebam, renovando cartão fora de época, sem, solicitação, para poder tirar a casquinha.

A segunda tarifa, já para dificultar a emissão de cheques de pequeno valor, é permitida sobre o segundo talão solicitado dentro do mesmo mês. Da mesma maneira que para haver crime é necessário haver definição em lei, nenhuma tarifa pode ser cobrada sem esta previsão.

Sempre haverá quem, para botar panos quentes na pendenga, sugira uma retirada maior para cobrir o pagamento de contas miúdas. O problema é alguém andar com dinheiro no bolso, no Brasil. Vai para o livro dos recordes se conseguir passar por três esquinas sem ser assaltado.

Como se vê, estamos entre cruz e a caldeirinha. É mera escolha de quem vai pôr a mão no bolso da gente, o banqueiro ou o gatuno.

Autor

Jayme copstein

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