
“Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada (…)”.
Mario Quintana.
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O poeta Fernando Pessoa, já adoentado e pressentindo o fim de sua jornada, se inquietava:
” – Não sei o que o amanhã me trará”.
Mesmo consciente da imensa obra que deixava aos portugueses, duvidava – e com bastante razão – do reconhecimento que seu legado receberia por parte das novas gerações. E ele não foi o único a temer pela ameaça do esquecimento que se seguiria. O argentino Ricardo Güriraldes, autor do clássico “Don Segundo Sombra”, já dizia em vida que as pegadas do escritor estão destinadas a serem apagadas pelo primeiro vento.
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Os depoimentos daqueles que souberam como extrair poesia do cotidiano nos levam a refletir que há um tempo de repensar no que deixamos pelo caminho. São medos, segredos, pecados, pecadilhos e epifanias que há muito esquecemos. Um tesouro incalculável de emoções que guardamos no vácuo que existe entre o que queríamos ser – e o que a vida fez de nós. A cidade ao redor mudou, os velhos amigos não estão mais por aqui, mas ainda consigo reviver os passos dados e reanimar as venturas recebidas:
O olhar furtivo da minha primeira namorada.
A lata de goiabada que ganhei na Festa do Divino.
O cheiro do cavalo do meu primeiro galope.
A voz da mãe recitando quadrinhas na hora de dormir.
O som distante de um piano na noite mal-dormida.
Prosseguimos buscando a coragem de nossos pais e a doçura dos nossos avós, mas o que encontramos são receios e interrogações. Mas é quando, dos altos morros chegam melodias antigas, que anunciam felicidades que estão por chegar.
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One Comment
Adorei. O Moraes é espetacular.
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