Totalmente apaixonada. Ano após ano a emoção é multiplicada. Sem arrastar jamais os ranços que deterioram os relacionamentos. Completamente enfeitiçada. Aniversário após aniversário o encanto é perpetuado. Como se fosse viável recomeçar sempre do zero com o mesmo sentimento. Declaradamente fã. Renovação após renovação a idolatria é duplicada. Com a sabedoria de imaginar conhecer, no mínimo, razoavelmente, cada canto e encanto de sua geografia. Eternamente grata a suas paisagens e aos seus abrigos. Retorno após retorno a benção é solidificada. Carregando a certeza de que posso desbravar mais, avançar, descobrir e permitir novos encontros. Tudo no seu tempo. Sem atropelos.
Porto Alegre merece todos os meus desvarios. A cidade ouve todos os meus ais. A capital gaúcha acolhe os meus medos e trabalha com as minhas possibilidades. Quase numa relação materna. Em que um ser se doa sem jamais esperar nada em troca. Esta metrópole que comemora 240 anos tem o poder de me encantar com o seu jeito de crescer sem mudar de tamanho. Com o seu jeito de se desenvolver sem ficar esnobe. Com sua mania de ser uma cidade que abraça, que envolve, que encanta.
Desde pequena, e já se vai muito tempo, me apaixonei pelas coisas banais de Porto Alegre. Pela lomba da rua General Auto, onde descia na companhia de meus irmãos e guiada pela minha mãe, depois das aulas no Paula Soares. Pela rua Coronel Fernando Machado, onde morei até os nove anos – e depois, mais velha, outro período – e que me oferecia as suas calçadas para riscar e pular amarelinha. Na adolescência, descobri alguns recantos da Zona Sul, ainda desabitada, e que recebeu parte da minha juventude. Foi amor à primeira vista. Até hoje, sempre que o tempo permite, gosto de passear pelas ruas do bairro Tristeza, Cavalhada seus arredores.
Na adolescência, no final da faculdade, me transferi para o Bonfim, com um afastamento de oito anos, e adotei cada recanto deste bairro. Adoro olhar o Instituto de Educação General Flores da Cunha, gosto demais de ir num pequeno supermercado da rua Fernandes Vieira, acho delicioso demais comer sorvete lá na Felipe Camarão, olhar as árvores da apaixonante Tomás Flores e o movimento da Garibaldi. Posso dizer que conheço encantos das ruas Barros Cassal, da Santo Antônio, da João Teles e da Cauduro. Sem falar, é claro, nos maravilhosos e ensolarados domingos, em que a Redenção toda se enfeita para receber parte da população de Porto Alegre.
Esta jovem senhora que completa 240 anos renova-se a cada aniversário e não teme expor as suas rugas, visíveis nas ruas antigas e nas esquinas escuras. Esta jovem senhora desfila seus dotes e busca, sempre, novas alternativas para os seus moradores e seus novos habitantes. Eu amo demais Porto Alegre e suas promessas. A cidade e sua população. A metrópole e seu desenvolvimento. A capital os gaúchos.

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