Quem conheceu o Peréio – Paulo César de Campos Velho – depois que ele foi trabalhar em São Paulo, com 20 e poucos anos de idade, terá dificuldade em acreditar que o jovem Peréio, um tímido absoluto, doentiamente tímido, curou-se através do teatro.
Com 18 anos, Peréio fez o Teobaldo, na montagem de Romeu e Julieta que dirigi em Porto Alegre. Ele tinha uma cena bem à direita do palco e quase se escondia no bastidor. Com um sarrafo na sapatilha, eu o empurrava mais para dentro do espetáculo.
Fundamos o Equipe, ele fez o discurso de inauguração do nosso teatro, substituiu Paulo José n’A Farsa da Esposa Perfeita, da Edy Lima, fez um padre progressista na minha peça O Despacho e, no Testamento do Cangaceiro, do Chico de Assis, fez o próprio. Peréio tinha vencido a doença e já era um ator dono dos seus instrumentos.
Ele me introduziu na Bossa Nova imitando João Gilberto e, às vezes, com tal perfeição que eu desconfiava que o João Gilberto andava imitando o Peréio.
Em 1961, com a minha então companheira – Lara de Lemos –, fez a música do Hino da Legalidade, movimento no qual os gaúchos evitaram um golpe e João Goulart, vice eleito, assumiu a presidência da República.
Hoje, Peréio, no Canal Brasil, apresenta o programa Sem Frescura, o que prova que a pessoa – não o ator superpremiado – despiu-se da timidez, às vezes até com exagero, e é um artista refinado.
Em outubro, Peréio vai cumprir 70 anos de uma rica trajetória. Antecipo-me às justificadas comemorações que virão para saudar esse filho do Alegrete que, com os idos Mario Quintana e João Saldanha, forma um trio da pesada de amigos lá nascidos.
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Fazendo fisioterapia para tratar de um linfedema na perna direita, numa sessão, quando a fisioterapeuta pegou a perna esquerda, reagi:
– Ei, Márcia, é a direita!
– É preventivo.
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Meu amigo, jornalista e escritor Altamir Tojal, numa noite de 2006, lançou seu primeiro livro, Faz que não vê. Compromissos impossíveis de desmarcar, na Barra da Tijuca, criaram o impasse, pois a livraria era no Centro. Fiz cálculos, peguei um táxi, cheguei na livraria minutos antes do autor, avisei que não podia ir, ganhei uma dedicatória no meu exemplar e dias depois estava duplamente gratificado, não faltei ao apelo da amizade e ganhei um livro que pedia outros.
Segunda-feira passada aconteceu um outro: oito contos reunidos em Oásis azul do Méier. Mau tempo me pegou meio debilitado e nem deu condições para eu ir avisar que a prudência me impunha ficar em casa. Um e-mail aliviou o não-ir e aguardo minha filha trazer-me um exemplar do livro.
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César, amigo e vizinho aqui no condomínio, às vezes, cometia enormes inconveniências, como dizer a uma vizinha que a gente sabia que o marido tinha uma amante, mas que éramos solidários a ela. Por essas e outras, eu vivia dando broncas no César.
Numa segunda-feira de Carnaval, depois de muitos chopes no Clube, cada um foi para a sua casa. Fim de tarde, fui acordado pela minha mulher:
– O César morreu!.
Inda estremunhado pelo insólito da notícia, enquanto levantava, dizia para a companheira:
– Tinha que levar o maior esporro: segunda-feira de Carnaval é dia de se morrer?!
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O Teatro de Equipe foi fundado em 1958, em Porto Alegre. Ao comemorar seu primeiro aniversário, a gente estava em obras transformando uma casa velha no nosso futuro teatro. Resolvemos fazer uma festa para a turma do ramo na própria obra. A Vinícola Aurora ofereceu o vinho e nós mandamos assar porcos e fazer farofa.
Aysser Bobaduy, que havia trabalhado comigo em Romeu e Julieta, chegou quase ao final da festa e ganhou um prato com mais farofa que porco.
– Vou avisar à dona de pensão que amanhã não precisa papel higiênico, basta um espanador.
Inté.
Vitrine (Comentário sobre a crônica Agosto)
Mário, também meu agosto é especial e de consagração. Meus três meninos nasceram em cinco, vinte cinco, vinte oito, o que desperta a expectativa por novembro, mês de altíssimo astral e desempenho: a gravidez dos três começou em novembro. Finalmente, em agosto, seis, haja parabéns para um grande e saudoso amor, Lídia Pereira da Silva, paixão arrasadora. Roberto de Jesus Castro, Rio.
Quando chega Agosto, eu tenho a nítida impressão que o ano realmente acabou… Abraços, GG (Augusto Graça,), Rio.

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