Segundo relatório da ong Repórteres sem Fronteiras (RSF), publicado na última quarta-feira, há 10 anos não morriam tantos jornalistas no exercício do trabalho como em 2004. A ong analisa anualmente a situação da liberdade de imprensa no âmbito internacional. Foram 53 profissionais mortos, 13 a mais que em 2003. Pelo menos 907 estavam presos e mais de 620 veículos de comunicação foram calados pela censura. O relatório destaca que o Iraque é o país mais perigoso do mundo para os jornalistas, com 19 repórteres mortos, além de 12 colaboradores (guias, motoristas, tradutores, técnicos, etc). Outros quatro morreram nas mãos do exército americano, que considerou as perdas como “acidentais”.
A cobertura de conflitos não é a única situação de risco para os jornalistas. Muitos são assassinados por denunciar casos de corrupção e investigar o crime organizado. A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) lembra que assim morreram os radialistas brasileiros Samuel Roman e José Carlos Araújo. Roman, apresentador do programa ‘A Voz do Povo’, em que denunciava o tráfico de drogas e a criminalidade no Mato Grosso do Sul, foi assassinado em 20 de abril por dois homens em frente à sua casa, na avenida que separa as cidades de Coronel Sapucaia/MS e Capitán Brado, no Paraguai. Araújo era apresentador do programa ‘José Carlos entrevista’ e foi morto em 24 de abril, em Timbaúba/PE. Segundo informações da polícia, o assassino confesso, Helton de Oliveira, tinha sido acusado de vários crimes por Araújo durante o seu programa.

