A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, trouxe alertas sobre o bem-estar psicológico dos profissionais da imprensa na edição 97 da Coonline. Na conversa, ela apresentou dados sobre saúde mental e relacionou o cenário à precarização do trabalho, além de abordar o avanço da Inteligência Artificial (IA) e as principais reivindicações dos jornalistas. “A categoria está adoecida”, pontuou.
Realizada pela Fenaj em parceria com a Fundacentro, uma pesquisa identificou depressão em 50,2% dos participantes, insônia em 47,9%, estresse em 47,8% e ansiedade em 35,8%. Para Samira, baixos salários, acúmulo de funções, pressão por metas e falta de reconhecimento social contribuem para o sofrimento psíquico. “Muitos colegas, inclusive, reclamaram que não tinham nem tempo para responder ao questionário sobre saúde mental”, relatou.
Ética e transparência
A presidente também apontou o crescimento da pejotização e a concorrência, no ambiente digital, com influenciadores e outros produtores de conteúdo sem formação jornalística. Nesse contexto, destacou a ética como um dos diferenciais da profissão. “O fato é o fato. Eu posso ter amplas visões do mesmo fato, porque os pontos de vista são diferentes, mas o fato tem que ser calcado na realidade”, declarou.
Sobre a Inteligência Artificial, Samira defendeu a transparência na identificação de conteúdos fabricados e a remuneração aos jornalistas quando seus trabalhos forem utilizados pelas plataformas. Segundo ela, a Fenaj atualizará seu Código de Ética em 2027 para incorporar questões relacionadas às novas tecnologias.
A entidade também participa, como parte interessada, de um processo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que apura práticas do Google no mercado de buscas. “Precisamos de um ambiente seguro e transparente no qual a informação jornalística possa circular sem a censura algorítmica e sem os vieses e os interesses das plataformas”, concluiu.
Confira a conversa na íntegra:

