O tatu, que nos anos 60 era caçado para virar ornamento em residências, como um abajour, hoje figura entre os animais cuja caça é considerada crime inafiançável. E se alguém, em um parque florestal, matar o guarda que cuida do tatu, estará cometendo um crime afiançável. Utilizando-se de paradoxos como este, o publicitário Júlio Ribeiro, diretor-presidente da Talent, deu uma palestra centrada exclusivamente na ética e nos negócios, ao participar esta manhã do seminário “O Valor das Marcas – Mitos e Verdades”, realizado pela revista Amanhã, no Hotel Plaza São Rafael.
Júlio Ribeiro deu vários exemplos de como a sociedade mudou desde o advento da revolução industrial, em 1850, quando o trabalho infantil era plenamente aceitável. Registrou que o choque da globalização começou exatamente em 5 de outubro de 1957, quando um satélite soviético viajou no espaço. Junto com o computador e a internet, o satélite marcaria a globalização, disse o publicitário, afirmando que, com ela, o que mudou foi o consumidor, que tem hoje outra relação com os produtos que consome.
Os valore da vida pessoal foram transferidos para as empresas, já que é lá que o ser humano passa a maior parte de sua vida – e é por isto, segundo Júlio Ribeiro, que se exige que as empresas tenham padrões éticos. Um passo mais adiante e chega-se à questão do relacionamento, “que é o que está regendo hoje o mundo de negócios”, acrescentou o publicitário. E ele foi enfático ao finalizar que é preciso entender que o mundo é feito por pessoas, e é a partir delas que políticas de relacionamento devem ser estabelecidas pelas empresas.

