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A revolução das fontes tirou o jornalismo do controle da notícia

Afirmação é de José Marques de Melo, durante o Seminário O Jornalismo de Nossa Época, realizado pela ARI

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José Marques de Melo, jornalista, professor universitário, pesquisador científico e consultor acadêmico proferiu o Seminário O Jornalismo de Nossa Época, promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) no último sábado, 5.  Com 50 anos de atividade jornalística, Marques de Melo apresentou uma visão panorâmica da evolução do jornalismo no Brasil, desde o seu nascimento, em 1808, até os dias atuais. O professor citou as dificuldades enfrentadas por Hipólito da Costa para imprimir (clandestinamente) o Correio Braziliense nos primeiros anos de 1800, o surgimento dos radiojornais, em 1922, e o início da televisão no Brasil, em 1950. Por fim, comentou o surgimento do ciberjornalismo em 1995, com a criação do JB online.

Marques de Melo sugeriu que o jornalismo passa por uma crise mundial e questionou: Para onde vamos? O professor chegou a comparar os blogs de notícias atuais às cartas de Madame de Sevigne, que narrava os costumes que imperavam na corte de Luís XIV, na França. Com a comparação, ele sugeriu que passamos por uma fase de jornalismo de boataria. “As informações que circulam na internet são, em sua maioria, pouco confiáveis.” Segundo ele, é preciso redefinir os formatos jornalísticos para adaptá-los à natureza da web. Melo acusou o jornalismo brasileiro de “provinciano, quase paroquial”. “Precisamos voltar a estar atentos ao que acontece nacional e internacionalmente”, disse.

O professor destacou, ainda, uma crise universal da imprensa, caracterizada por uma perda de identidade. “Há um divórcio e não há ninguém interessado em buscar reconciliação. É preciso restaurar a imagem pública dos profissionais. Os jornalistas perderam tanto sua credibilidade, que, inclusive, ficaram sem diploma”, avaliou. Também chamou atenção para a necessidade de uma urgente formação de leitores. “Os jovens têm um comportamento hedonista, não leem jornais, vivem no mundo da evasão, dos jogos, da web, do mero entretenimento. Se não houver uma rápida formação de leitores, haverá uma redução brutal na próxima década”, disse. E deu a dica. “Sem conhecimento não se amplia o repertório.”

Como complemento às observações do professor da USP, o jornalista e professor da Famecos Antonio Hohlfeldt, afirmou que o grande desafio da comunicação é voltar à essência do que é o jornalismo. Elmar Bones, do Jornal Já, comentou que hoje o noticiário é feito de fora para dentro. “Precisamos de um sopro de comunicação, algum mecanismo que possibilite a produção experimental de jornalismo”, disse. Marques de Melo concordou com Bones e citou que ocorre atualmente a revolução das fontes. “A sociedade passou a pautar a imprensa. Vocês já viram alguma invasão do Movimento dos Sem-Terra (MST) acontecer sem que a Globo esteja presente?”, exemplificou. E arriscou: “A revolução das fontes tirou o jornalismo tradicional do controle da notícia.“

Participaram do encontro o presidente da ARI, Ercy Torma, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Nunes, professores de jornalismo da Famecos (PUCRS) e do Centro Universitário Metodista IPA, comunicadores e estudantes de jornalismo. Ercy Torma, que proferiu as palavras de abertura, ressaltou que a atividade marcou o início das ações comemorativas ao aniversário da entidade, que completa 74 anos no dia 19 de dezembro. E aproveitou para convidar os presentes para participarem da entrega do Prêmio ARI de Jornalismo, que ocorre na próxima segunda-feira, 14, na Assembleia Legislativa.

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