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Abert, Aner e ANJ criticam decisões judiciais após cancelamento de debate da Globo

Entidades manifestaram solidariedade à emissora e apontaram interferência em regras acordadas com partidos

A Globo anunciou o cancelamento após receber duas notificações judiciais na noite de quinta-feira. - Crédito: Manoella Mello/Globo.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticaram as decisões judiciais que antecederam o cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno da TV Globo, previsto para quinta-feira, 1º. Em nota conjunta, as entidades manifestaram solidariedade à emissora e afirmaram que houve interferência em regras previamente acordadas com os partidos.

Para as associações, as determinações ultrapassaram a imposição de obrigações que não estão previstas em lei para uma emissora privada. “É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos”, sustenta o comunicado.

O documento também relaciona o cancelamento ao prejuízo para o eleitorado. Na avaliação das entidades, os excessos judiciais impediram os cidadãos de conhecer as propostas dos candidatos que haviam sido convidados e estavam dispostos a participar do encontro.

Decisões alteraram formato e participação

A Globo anunciou o cancelamento após receber duas notificações judiciais na noite de quinta-feira. Uma delas, assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e proibiu a exibição do púlpito vazio com o nome dele, além de perguntas dirigidas ao candidato ausente.

A regra acordada com as campanhas previa a manutenção do espaço identificado de quem não comparecesse e a possibilidade de perguntas a esse candidato. Ao suspender a cláusula, a ministra argumentou que a participação é facultativa e que a dinâmica poderia prejudicar o ausente, sem oportunidade de responder aos adversários.

A segunda determinação, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), obrigou a emissora a incluir Renan Santos, candidato do Missão. Na justificativa para cancelar o programa, a Globo também mencionou uma decisão anterior do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que assegurou a participação de Romeu Zema (Novo) ao alterar o entendimento sobre a contagem de parlamentares para os convites obrigatórios.

O cancelamento ocorreu também em meio à ausência de Lula, informada à emissora na quarta-feira, 30 de setembro. O atual presidente possuía entrevista marcada no Flow, realizada ao vivo e transmitida pelos canais digitais do podcast no mesmo horário do debate.

Além disso, horas antes do encontro, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou desistência. O senador atribuiu sua decisão à restrição determinada pelo TSE. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema já estavam na Globo quando o debate foi cancelado.

Confira a nota na íntegra:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno. 

As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.

Brasília, 1º de outubro de 2026.

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão

Associação Nacional de Editores de Revistas

Associação Nacional de Jornais

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