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Ações contra Jornal JÁ repercutem no país

Editor foi processado por publicar reportagem sobre fraude na CEEE

Sob o título ‘Jornal Já – Como calar e intimidar a imprensa’, o jornalista gaúcho Luiz Cláudio Cunha escreve uma minuciosa reportagem no site Observatório da Imrpensa, no qual relata o episódio envolvendo a publicação, em dificuldades agravadas pela ação movida pela mãe do ex-governador Germano Rigotto, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família ficou desconfortada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio de 2001 pelo mensário com tiragem de 5 mil exemplares, que abordava uma fraude envolvendo a estatal CEEE, com envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta. 

Luiz Cláudio relata que foram movidas duas ações, cível, que cobrava indenização da editora por dano moral, e outra por injúria, calúnia e difamação, contra o editor do e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. “Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora”, registra a reportagem. 

Após descrever como foi a reportagem do JÁ e os desdobramentos que as ações tiveram, Luiz Cláudio estranha: “A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário”. 

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