Foi absolvida pelo Tribunal do Júri, na última sexta-feira, 15, Paula Caroline Ferreira Rodrigues, acusada de matar o fotógrafo José Gustavo Gargioni há oito anos, em Canoas. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) vai recorrer da decisão. A ré respondia pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima e ocultação de cadáver. Juliano Biron da Silva, outro réu do mesmo processo e apontado como um dos líderes de uma facção criminosa que atua no Vale dos Sinos, já foi julgado e condenado a 18 anos de prisão.
“Tinha tanta esperança que ela fosse incriminada, mas ela grávida e os advogados fazendo todo aquele teatro transformaram ela em vítima, em vez do meu filho. Infelizmente, a justiça é muito falha no Brasil e nós ficamos transtornados. Só nos resta agora a Justiça divina”, lamentou Helena Gargioni, mãe de José. Ela conta que acompanhou o julgamento durante toda a sexta-feira, mas se sentiu mal e foi para casa, antes da leitura da sentença.
Durante o interrogatório, Paula negou ser a autora do crime. Ela afirmou ter sido obrigada pelo então companheiro Juliano, com quem mantinha relação extraconjugal desde os 13 anos, a marcar um encontro com José. Horas antes, contou que Juliano havia descoberto o relacionamento amoroso da ré com a vítima. Segundo ela, após receber uma notificação no celular, Juliano pegou o aparelho e descobriu o caso amoroso. “Me desmontei quando ele pegou o telefone. Ele não aceitaria, eu ia morrer. Sabia que ia acontecer alguma coisa”, contou.
De acordo com a ré, ela morava no 9º andar, e saiu em direção à janela, Juliano teria a puxado pelos cabelos e a agredido com socos na cabeça e tórax. “Desmaiei e acordei com Juliano sentado no sofá com duas pistolas na mão. Ele colocou uma na minha boca”, relatou.
O Crime
Segundo as investigações, o crime aconteceu entre a noite de 27 de julho de 2015 e a manhã seguinte. De acordo com a Polícia Civil, José foi brutalmente espancado em um crime de ódio. O corpo da vítima foi encontrado na área de vegetação do bairro Mato Grande e de acesso à Praia de Paquetá.
A polícia concluiu no inquérito que José foi atraído para uma armadilha. Policiais civis tiveram acesso a conversas nas redes sociais, em perfil registrado no nome de Paula, no qual convida a vítima para um encontro em um posto de combustíveis localizado às margens da BR-116. Quando chegou no local, ele teria sido surpreendido pela presença de Juliano que estava armado e escondido no banco de trás do carro dirigido por Paula. O casal teria levado José até o local onde teria ocorrido a sessão de tortura antes do homicídio.
