Na noite desta terça-feira, 28, a Associação Riograndense de Propaganda realizou mais uma edição do Janela ARP, evento de debate com o mercado. Dessa vez, as convidadas foram Andiara Petterle, vice-presidente de Produto e Operações do Grupo RBS, e Ana Luiza Ferrão, diretora-geral da Gang, que falaram sobre ‘Mulheres e liderança: ainda é diversidade?’. A condução do bate-papo ficou com a publicitária e sócia da agência Morya, Lara Piccoli. Na ocasião, Andiara afirmou: “Toda marca ou empresa que se preze tem que ter política de diversidade. Hoje, isso é questão de sobrevivência”.
Após uma breve apresentação das convidadas, o trio falou sobre como é ser líder mulher. “Liderança é algo que pode ser desenvolvido, mas acredito que tem na nossa natureza também”, declarou, ao revelar que sempre teve apoio da família e, principalmente, da mãe, Carmem Ferrão, diretora da Lojas Pompéia. “Ela é minha inspiração, pois sempre me deu limites, e, ao mesmo tempo, tive oportunidades de fazer o que eu queria”, completou.
Andiara, por sua vez, relatou sua infância e adolescência e garantiu que seus pais nunca fizeram distinção entre ela e o irmão. “Não conheci o limite de ser uma mulher, pra mim isso não existiu”, falou, e acrescentou: “Aqui, no Rio Grande do Sul, homens e mulheres têm papéis muito definidos e, mais, todos aceitam demais esses papéis”. Segundo contou, Andiara buscou arriscar na sua vida profissional, pois não criou expectativas para alguém. “Não preciso impressionar nada nem ninguém. E isso me deixa segura. Se não der certo, se eu cair, do chão eu não passo.”
A VP do Grupo RBS também falou sobre as escolhas inconscientes de empresas para eleger profissionais em cargos de liderança e fez uma brincadeira com os participantes. Para convidar todos a participarem, mostrou algumas imagens de pessoas e perguntou em quem o público confiava mais, com base nas fotografias. Geralmente, os personagens que mais pareciam ideais não eram os melhores e mais recomendáveis.
A maternidade também entrou na pauta, e, para colaborar com o debate, as três participantes são mães. Andiara, que é mãe da Olívia, 4 anos, e Catarina, 2 anos, afirmou que demorou um pouco para decidir se teria filhos, mas encontrou no marido a base para a decisão. Além disso, disse que é muito bem resolvida com a questão de saber que não estará presente em todos os momentos das pequenas. “Não sinto culpa de não participar de tudo. Sei que são escolhas. Aprendi com meu psiquiatra que os filhos são reflexos dos pais, então, enquanto eu estiver feliz, elas estarão felizes”, analisou.
Ana Luiza também demorou para decidir engravidar e, agora, está à espera de Alice, que nascerá dentro de três meses. “Está sendo maravilhoso e quero não ter culpa, também. Busco o equilíbrio e, hoje, minha prioridade é minha filha”, sentenciou.
Em uma breve participação, a presidente da ARP, Liana Bazanela, parabenizou as convidadas e o público, e disse o quão difícil foi escolher as debatedoras, especialmente pela escassez de mulheres líderes no mercado gaúcho. “Estou muito feliz de estarmos aqui hoje, porém, lamento que este seja o menor público de um Janela ARP até agora”, pontuou.
Também nesta edição foi inaugurado o ARPitch, projeto que consiste em disponibilizar um espaço para que os sócios apresentem seus trabalhos em um intervalo de tempo de três minutos. Participaram da iniciativa Márcia Budke, que apresentou um pouco da Brazo Mídia, e Marcelo Nunes, que falou sobre a Brandits Films.

