O jornalista e advogado gaúcho Andrei Kampff lançará seu livro ‘Direitos Humanos e Esporte: como o caso George Floyd ajudou a transformar as regras do jogo’ na próxima segunda-feira, 17, na Livraria da Travessa (Rua dos Pinheiros, 513 – bairro Pinheiros), em São Paulo. Radicado na capital paulista, o profissional trabalha com Jornalismo e Direito Desportivo e é criador do blog Lei em Campo, onde escreve periodicamente. Para falar sobre a obra, Andrei conversou com a equipe do Coletiva.net.
O jornalista discorreu sobre a motivação para escrever o livro. Segundo ele, toda conduta jurídica tem como base a garantia de Direitos Humanos e, como o esporte não se afasta do Direito, essas prerrogativas também são pilares da elaboração de normas do setor. Andrei citou os desdobramentos do caso George Floyd, homem negro morto pela polícia nos Estados Unidos, que gerou consequências no mundo desportivo.
“Com a pressão, o setor foi obrigado a rever regras privadas que condenavam manifestações políticas, mesmo que em defesa de Direitos Humanos, em nome da neutralidade esportiva”, explicou. Andrei disse que isso chamou a sua atenção e o fez se aprofundar na discussão entre regramentos privados e direitos universais. Ele acredita que a pauta dos Direitos Humanos é um grande tema da atualidade no esporte e, por isso, requer mais debates. “Espero que o livro possa ajudar nessas reflexões”, declarou.
Em relação à cobertura da imprensa de casos de racismo no esporte, ele crê que a mídia e a sociedade estão evoluindo. “As pautas de combate ao preconceito estão cada vez mais fortes”, salientou o profissional, que considera isso como um movimento coletivo que tanto o Direito quanto a Comunicação têm de entender. A fim de honrar o compromisso jornalístico de informar bem o público, de acordo com Andrei, é crucial procurar trazer falas de experts para produzir o conteúdo. Faz-se isso, disse ele, quando o assunto discutido é economia ou política, por exemplo, e é preciso agir igualmente em relação ao Direito no esporte. “Com a informação do especialista, abre-se o leque para o jornalista – se for o caso – expressar opinião”, explicou.
Por fim, no tocante à visibilidade que a imprensa dá ao futebol feminino, Andrei relembrou uma medida da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para incentivar a modalidade ao redor do mundo. Segundo ele, isso gerou mudanças em regras de licenciamento, premiações e investimento, e foi seguido pelo resto das organizações do futebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes. Para ele, a exposição desse esporte cresce com mais fomento, força política e apoio, o que criará mais interesse e conteúdo. “É uma cadeia que precisa funcionar bem para ter os resultados que se espera e se torce”, finalizou.

