O jornalista, escritor, desenhista, dramaturgo e humorista Millôr Fernandes morreu na noite desta terça-feira, 27, no Rio de Janeiro, aos 87 anos. Ele estava em casa e foi vítima de falência de órgãos múltiplos. O corpo será velado a partir das 10h desta quinta-feira, 29, no cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, no Rio. Segundo a assessoria do cemitério, o corpo será cremado no Crematório da Santa Casa. Millôr havia passado mais de quatro meses internado no ano passado na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. Millôr tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel.
Millôr foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, nasceu no dia 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior. Millôr escrevia, atualmente, textos de humor e cartuns, que eram publicados em seu site pessoal. O jornalista também se dedicou ao desenho e à dramaturgia e já aos 14 anos colaborava com a revista “O Cruzeiro”. No final dos anos 1960, foi um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, que marcou época na imprensa alternativa brasileira.
Nascido no bairro do Méier, Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria mais tarde, durante uma entrevista.
Desenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo, Millôr foi um raro artista que obteve grande sucesso, de crítica e público, em todas as áreas em que se atreveu trabalhar. Ele, que se autodefinia um “escritor sem estilo”, começou no jornalismo em 1938, aos 15 anos, como contínuo e repaginador de “O Cruzeiro”, então uma pequena revista. Ele retornou à publicação em 1943 ao lado de Frederico Chateaubriand e a tornou um sucesso comercial. Lá, criou a famosa coluna “Pif-Paf”, que também teria desenhos seus.

