Neste ano, o Brasil avançou da 63ª para a 52ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). No entanto, uma nova pesquisa indica que os desafios enfrentados pelo jornalismo local seguem presentes. O levantamento ‘Jornalismo local sob pressão do poder paralelo’, realizado pelos jornalistas Gabi Coelho e Igor Soares com apoio da RSF, revelou que apenas 15,8% dos veículos entrevistados consideram haver liberdade de imprensa plena em suas localidades.
O estudo ouviu 38 veículos das cinco regiões do País entre fevereiro e maio de 2026. A investigação buscou compreender como diferentes agentes podem influenciar ou restringir a atuação da imprensa local. Entre os atores apontados estão políticos, empresários, forças de segurança, facções criminosas e outros grupos com capacidade de exercer pressão sobre jornalistas e organizações de Comunicação.
Os resultados mostram que a percepção de quem atua fora dos grandes centros contrasta com o avanço brasileiro no ranking internacional. Temas como violência policial, corrupção política, uso de recursos públicos e disputas territoriais aparecem entre os assuntos mais evitados por receio de consequências para os profissionais e veículos envolvidos. Além disso, cerca de 60,5% dos entrevistados afirmaram que o veículo já deixou de publicar alguma pauta por receio de sofrer retaliações.
Hostilidades e intimidações
A pesquisa também identificou que 89% dos respondentes já sofreram algum tipo de hostilidade em razão do trabalho jornalístico. Os ataques em redes sociais e as intimidações presenciais foram as formas mais recorrentes, mencionadas por 47,4% dos participantes. Também foram relatadas ameaças diretas e indiretas e pressões de autoridades públicas. Para 63,2% dos respondentes, essas hostilidades ocorrem de forma ocasional, enquanto 13,2% as definem como recorrentes.
E mesmo diante das ameaças e pressões relatadas, a maioria dos profissionais não recorre aos canais formais de denúncia. De acordo com a pesquisa, 76,3% dos respondentes nunca registraram denúncia após sofrer situações relacionadas ao exercício da profissão. Entre os motivos apontados estão o medo de represálias e a desconfiança nas instituições responsáveis pela investigação dos casos, que foi citada por 42,1% dos participantes que optaram por não denunciar.
O estudo também analisou a adoção de medidas de proteção pelos veículos de Comunicação. Entre os entrevistados, 73,7% afirmaram possuir algum protocolo de segurança, enquanto 26,3% disseram não contar com qualquer procedimento estruturado para proteção de profissionais e operações.
Interessados em saber mais sobre a investigação ‘Jornalismo local sob pressão do poder paralelo’ podem acessar a íntegra do estudo neste link.

