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Apenas 15,8% dos veículos locais veem liberdade de imprensa plena no Brasil

Estudo aborda os desafios enfrentados no exercício do Jornalismo fora dos grandes centros

Estudo ouviu 38 veículos das cinco regiões do País entre fevereiro e maio de 2026. - Crédito: Suzy Hazelwood / Pexels.

Neste ano, o Brasil avançou da 63ª para a 52ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). No entanto, uma nova pesquisa indica que os desafios enfrentados pelo jornalismo local seguem presentes. O levantamento ‘Jornalismo local sob pressão do poder paralelo’, realizado pelos jornalistas Gabi Coelho e Igor Soares com apoio da RSF, revelou que apenas 15,8% dos veículos entrevistados consideram haver liberdade de imprensa plena em suas localidades. 

O estudo ouviu 38 veículos das cinco regiões do País entre fevereiro e maio de 2026. A investigação buscou compreender como diferentes agentes podem influenciar ou restringir a atuação da imprensa local. Entre os atores apontados estão políticos, empresários, forças de segurança, facções criminosas e outros grupos com capacidade de exercer pressão sobre jornalistas e organizações de Comunicação.

Os resultados mostram que a percepção de quem atua fora dos grandes centros contrasta com o avanço brasileiro no ranking internacional. Temas como violência policial, corrupção política, uso de recursos públicos e disputas territoriais aparecem entre os assuntos mais evitados por receio de consequências para os profissionais e veículos envolvidos. Além disso, cerca de 60,5% dos entrevistados afirmaram que o veículo já deixou de publicar alguma pauta por receio de sofrer retaliações.

Hostilidades e intimidações

A pesquisa também identificou que 89% dos respondentes já sofreram algum tipo de hostilidade em razão do trabalho jornalístico. Os ataques em redes sociais e as intimidações presenciais foram as formas mais recorrentes, mencionadas por 47,4% dos participantes. Também foram relatadas ameaças diretas e indiretas e pressões de autoridades públicas. Para 63,2% dos respondentes, essas hostilidades ocorrem de forma ocasional, enquanto 13,2% as definem como recorrentes.

E mesmo diante das ameaças e pressões relatadas, a maioria dos profissionais não recorre aos canais formais de denúncia. De acordo com a pesquisa, 76,3% dos respondentes nunca registraram denúncia após sofrer situações relacionadas ao exercício da profissão. Entre os motivos apontados estão o medo de represálias e a desconfiança nas instituições responsáveis pela investigação dos casos, que foi citada por 42,1% dos participantes que optaram por não denunciar.

O estudo também analisou a adoção de medidas de proteção pelos veículos de Comunicação. Entre os entrevistados, 73,7% afirmaram possuir algum protocolo de segurança, enquanto 26,3% disseram não contar com qualquer procedimento estruturado para proteção de profissionais e operações.

Interessados em saber mais sobre a investigação ‘Jornalismo local sob pressão do poder paralelo’ podem acessar a íntegra do estudo neste link.

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