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Aplausos e casa cheia para receber Caco Barcellos

No “Encontros com o Professor”, repórter da TV Globo resgatou histórias do início de sua carreira no jornalismo gaúcho

Um encontro entre um professor experiente e um repórter sem muita prática na condição de entrevistado movimentou o Studio Clio na noite desta quinta-feira, 7. Com auditório lotado, muitos aplausos e uma fila que, mesmo com a casa cheia, chegava a dobrar a quadra, Ruy Carlos Ostermann recebeu Caco Barcellos. Quem chegou com mais de uma hora de antecedência garantiu lugar e pôde presenciar o resgate de memórias e histórias do jornalismo gaúcho, principalmente.

No talk-show “Encontros com o Professor”, o porto-alegrense Cláudio Barcelos de Barcelos, que hoje comanda o programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, lembrou do início de sua carreira, em 1973, no jornal Folha da Manhã, e de sua atuação na chamada imprensa alternativa, quando viajou em busca de boas histórias pela América Latina e Central. Desabituado na posição de entrevistado, ele se antecipou por diversas vezes para perguntar a opinião do Professor sobre os temas abordados. Com bom humor, Ostermann lembrou que ele era o entrevistador e Caco rebateu, provocando risos dos presentes: “Como entrevistado eu sou rebelde.”

Criado no bairro Partenon, em Porto Alegre, e vindo de uma família humilde, o jornalista afirmou que será, sempre e acima de tudo, repórter. Mesmo após a fama adquirida ao longo dos 36 anos de carreira, Caco leva uma rotina exaustiva de aproximadamente 28 horas de trabalho. “Gosto de viver radicalmente, por isso, eu não durmo”, brincou. A mãe Antoninha, que estava na plateia juntamente com a irmã do jornalista, Neusa, costuma perceber pelas olheiras comumente apresentadas no vídeo que o filho não anda dormindo tanto quanto deveria. “Costumo trabalhar mais que eles (a equipe do Profissão Repórter). Sempre trabalhei muito. É incorrigível. Mas aprendi com  a vida que as coisas só têm valor quando são difíceis. Ao invés de agradecer pelas coisas boas que “caem” no meu colo, eu desconfio”, afirmou. 

Na ocasião, Caco também falou da matéria publicada pela Folha da Manhã que resultou na sua saída e a de outros 21 colegas do jornal. O texto tratava de “partidas de futebol” que ocorriam na delegacia de Canoas, onde presos eram torturados e agredidos com pontapés – contando inclusive com juiz que “apitava” para alertar os agressores da presença de pessoas indesejáveis. A matéria não agradou a Secretaria de Segurança, que pediu o afastamento dos profissionais. 

Questionado por Ostermann sobre a extinção da Lei de Imprensa, Caco disse acreditar que o fato não vai gerar muitas alterações, pois, segundo ele, a forma mais efetiva de se julgar sempre foi através do Código Penal. Porém, sobre a questão do diploma disse não ter uma opinião formada, mas questionou: “Pela democratização da internet, de que adianta exigir diploma se a pessoa pode abrir sua própria emissora ou criar um blog? Algumas discussões devem ser avaliadas de acordo com este novo cenário em que vivemos e, assim, buscar novos limites.”  

O repórter, que sempre gostou de observar o comportamento dos outros, afirmou não acreditar no fim dos jornais impressos. Apesar do avanço da internet e das novas tecnologias, Caco confere a sobrevivência das publicações à qualidade dos textos. “A reportagem é a produção mais cara do jornalismo. Se você apura só na internet, na frente de um computador, você repete uma história que já foi contada por alguém. No final, é a qualidade é que vai se impor. Uma hora, as pessoas vão cansar de perder tempo.”

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