Um encontro entre um professor experiente e um repórter sem muita prática na condição de entrevistado movimentou o Studio Clio na noite desta quinta-feira, 7. Com auditório lotado, muitos aplausos e uma fila que, mesmo com a casa cheia, chegava a dobrar a quadra, Ruy Carlos Ostermann recebeu Caco Barcellos. Quem chegou com mais de uma hora de antecedência garantiu lugar e pôde presenciar o resgate de memórias e histórias do jornalismo gaúcho, principalmente.
No talk-show “Encontros com o Professor”, o porto-alegrense Cláudio Barcelos de Barcelos, que hoje comanda o programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, lembrou do início de sua carreira, em 1973, no jornal Folha da Manhã, e de sua atuação na chamada imprensa alternativa, quando viajou em busca de boas histórias pela América Latina e Central. Desabituado na posição de entrevistado, ele se antecipou por diversas vezes para perguntar a opinião do Professor sobre os temas abordados. Com bom humor, Ostermann lembrou que ele era o entrevistador e Caco rebateu, provocando risos dos presentes: “Como entrevistado eu sou rebelde.”
Criado no bairro Partenon,
Na ocasião, Caco também falou da matéria publicada pela Folha da Manhã que resultou na sua saída e a de outros 21 colegas do jornal. O texto tratava de “partidas de futebol” que ocorriam na delegacia de Canoas, onde presos eram torturados e agredidos com pontapés – contando inclusive com juiz que “apitava” para alertar os agressores da presença de pessoas indesejáveis. A matéria não agradou a Secretaria de Segurança, que pediu o afastamento dos profissionais.
Questionado por Ostermann sobre a extinção da Lei de Imprensa, Caco disse acreditar que o fato não vai gerar muitas alterações, pois, segundo ele, a forma mais efetiva de se julgar sempre foi através do Código Penal. Porém, sobre a questão do diploma disse não ter uma opinião formada, mas questionou: “Pela democratização da internet, de que adianta exigir diploma se a pessoa pode abrir sua própria emissora ou criar um blog? Algumas discussões devem ser avaliadas de acordo com este novo cenário em que vivemos e, assim, buscar novos limites.”
O repórter, que sempre gostou de observar o comportamento dos outros, afirmou não acreditar no fim dos jornais impressos. Apesar do avanço da internet e das novas tecnologias, Caco confere a sobrevivência das publicações à qualidade dos textos. “A reportagem é a produção mais cara do jornalismo. Se você apura só na internet, na frente de um computador, você repete uma história que já foi contada por alguém. No final, é a qualidade é que vai se impor. Uma hora, as pessoas vão cansar de perder tempo.”


