Desde a última terça-feira, 9, o SBT-RS exibe depoimentos exclusivos de mulheres vítimas do cirurgião plástico gaúcho Estevão José Rodrigues, de 68 anos. Ele foi detido, preventivamente, nesse mesmo dia, por importunação sexual e porte ilegal de arma. A prisão ocorreu depois que a repórter Gabriela Lerina e a produtora da emissora Mônica Rossi apuraram a denúncia de uma paciente do médico. O caso foi investigado durante dois meses.
Gabriela explicou que o primeiro contato se deu por meio do Instagram da repórter: “Ela me pediu ajuda depois que assistiu à cobertura que a gente fez sobre o caso Klaus Brodbeck, outro cirurgião que foi preso depois de abusar sexualmente das pacientes. Aí tive a certeza que nossa função no jornalismo havia sido cumprida”.
A reportagem então acionou a produção, que orientou a vítima a procurar a polícia. Até agora, a emissora ouviu seis mulheres, pacientes do médico: “Faço o primeiro contato, infelizmente elas são muitas. A cada mensagem e ligação, um mesmo relato”, desabafou Mônica, que agradeceu o empenho da polícia no caso.
Conforme a produtora, a equipe da delegada Jeiselaure fez um trabalho árduo para colocar o profissional da medicina longe do consultório. A jornalista, que trabalha há 15 anos na produção de TVs, finalizou: “Não é fácil para uma equipe pequena como a nossa, mas a gente se une e, com esforço, conseguimos seguir com nosso jornalismo de excelência, ético e comprometido.”
A equipe de Coletiva.net entrou em contato com a delegada responsável pelo caso, Jeiselaure de Souza, para falar sobre a importância da parceria entre Imprensa e polícia. “Essa parceria é fundamental quando ela se dá com transparência e responsabilidade. A informação é uma arma muito poderosa no enfrentamento da violência de gênero, que é um tipo de crime subnotificado. Cerca de 90% dos casos não chegam ao conhecimento das autoridades”.

