A arte popular e a arte de elite como dois pólos da criação brasileira foram assunto ontem na Escala. O artista plástico mineiro José Alberto Nemer, curador da exposição “Somos – A Criação Popular Brasileira”, em cartaz no Santander Cultural, com apoio da agência, foi o responsável pelo bate-papo com os colaboradores da Escala. Nemer veio a Porto Alegre para participar do seminário “O Código da Visualidade”, e falou sobre os períodos em que a cultura popular e a elitista convergiram ou se afastaram, sob a influência do poder político, religioso e de fatores socioeconômicos, culturais e geográficos.
“O barroco de Minas Gerais, e não o de Portugal, é o DNA da nossa identidade cultural’, afirmou Nemer, O período, conforme o artista, se caracterizou pela liberdade de criação e uma mobilização coletiva, quando a arte popular e a arte das elites andaram juntas. Já no século 19, quando Dom João trouxe a missão artística francesa para o Brasil, impondo o gosto neoclássico, instalou-se aqui uma nova estética desbancando a produção espontânea brasileira. “Nos anos 60, o governo militar influenciou o surgimento de nova convergência, com a cultura elitista procurando um resíduo da identidade cultural brasileira”, disse Nemer. Ele lembrou que hoje, com a globalização, a arte das elites vive uma fase de esgotamento que a obriga a buscar inspiração popular.
Avaliando a iniciativa da agência, que tem como conceito “Escala Falando as Línguas do Brasil”, o diretor Alfredo Fedrizzi observou que arte e publicidade se aproximam através do processo de criação e se inspiram uma na outra.

