Depois da repercussão negativa nas redes sociais e a perda de patrocinadores devido aos comentários no programa ‘Timeline’, da rádio Gaúcha, na última quinta-feira, 2, os apresentadores da atração se posicionaram a respeito do que eles falaram ao vivo sobre o assalto a uma agência do Banco do Brasil em Criciúma (SC) na madrugada de segunda-feira (30) para terça-feira (1º). David Coimbra e Kelly Matos pediram desculpas em suas colunas na superedição do jornal Zero Hora deste final de semana, 5 e 6, bem como no espaço que possuem em GZH. O Grupo RBS também se manifestou por meio de editorial na mesma edição.
Em seu espaço no jornal, Coimbra afirma que sempre valorizou a segurança pública. Como exemplo, lembra uma conversa com um empresário gaúcho em 2017. Bate-papo esse sobre a iniciativa de criar um projeto que ajudasse os policiais no Rio Grande do Sul. Segundo David, ele apoiou a ideia, e tempos depois, nasceu o Instituto Floresta.
Sobre os seus comentários a respeito do crime em Criciúma, ele disse que tinham sido irônicos e provocativos, como outros que ele já fez. Relata, no entanto, que muitas pessoas entenderam que ele se expressava seriamente e que então ele estaria enaltecendo a posição dos bandidos. O profissional ainda defende a sua colega Kelly Matos, tirando a responsabilidade dela sobre qualquer indício de que ela teria agido também com esta intenção.
“Não relativizei a ação dos bandidos. Não os glorifiquei, como algumas pessoas pensaram. Mas elas pensaram. Então, errei. E por isso peço desculpas. Assumo o fardo desta responsabilidade e reforço que ela é só minha. Minha culpa, minha máxima culpa”, lamenta, no texto.
O título da coluna de Kelly Matos já dá o tom de sua manifestação: ‘Perdão’. A apresentadora lembra seu avô Vitorino, catarinense, lamenta os fatos ocorridos e reconhece que ela e o coapresentador fizeram comentários infelizes durante a atração. “Ofendemos, de maneira muito equivocada, os irmãos catarinenses, os policiais por quem tenho tanta admiração e respeito (herança do seu Vitorino) e as instituições bancárias, que aliás também merecem a mesma consideração”, escreve.
Kelly reconhece que errou ao não interromper o colega, ao rir de uma ironia e citar uma frase atribuída a um filme. Ao lembrar de familiares catarinenses, e dos próprios reféns, ela pediu desculpas. Manifestou solidariedade com cada uma das pessoas que passaram pelo horror daquela madrugada. “Erramos. E, diante do erro, não há outro caminho que não seja o da humildade. Peço perdão. E reitero meu reconhecimento às forças policiais que atuam em prol dos cidadãos. Perdão”, admite.
No editorial, representando a opinião do grupo de mídia, a empresa afirma que sua atuação no tema da segurança pública é auxiliar o cidadão e empresas a se protegerem e que valoriza as forças policiais na defesa da lei e da sociedade. Nesse sentido, traz exemplos de eficiência das forças de segurança gaúchas, como as ações da polícia após esse mesmo assalto.
No texto, reitera que o grupo estabelece uma relação de diálogo e respeito com todos, estando aberto a críticas, opiniões e sugestões. Por isso, entende como saudável o debate sobre as falas dos seus colaboradores no referido programa. Lembra que os profissionais já se desculparam e a empresa entende que a ideia deles, assim como da RBS, não foi de ofender nenhum indivíduo envolvido na ação, tampouco minimizar o ocorrido.
Para o Grupo RBS, o caso e as reações servem como aprendizado, e a empresa está agindo para melhorar o trabalho junto à sociedade. “Nesse sentido, já estamos dialogando com entidades e lideranças de nosso Estado, com o objetivo de aperfeiçoarmos nosso trabalho. Esse é o caminho que escolhemos trilhar desde a gênese da RBS e que, certamente, continuaremos trilhando, neste e em todos os momentos, com convicção e vontade permanente de colaborar e de evoluir”, conclui.
O texto completo pode ser conferido aqui.

