A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nesta segunda-feira, 27, em seu site institucional, um relatório com o levantamento de casos de censura, ameaças, agressões a jornalistas e outras formas de pressão contra o direito de informar, nos últimos dois anos. Segundo a entidade, a imprensa brasileira teria sofrido 70 atentados neste período.
O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, afirmou que a situação é preocupante, pois todos os casos “representam flagrante desrespeito à Constituição do País”. O relatório destaca os números de ordens judiciais impondo censura aos meios de comunicação. Conforme a publicação, dos 70 casos, 26 se referem a decisões do Poder Judiciário, além da determinação de 10 medidas restritivas pela Justiça Eleitoral. A ANJ também alerta para o aumento da quantidade de decisões judiciais que proíbem jornais de divulgar matérias sobre determinados temas ou conteúdo. Durante o período do levantamento, o Comitê de Liberdade de Expressão denunciou 20 casos de censura, segundo a entidade.
O relatório destaca dois casos recentes de censura ao jornal O Estado de S. Paulo. O primeiro, que impede o jornal de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga o empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney. O segundo, que aconteceu na última semana, quando o Tribunal Regional Eleitoral de Tocantins (TRE-TO) proibiu o Estadão e outros 83 veículos de comunicação de citarem o nome do governador Carlos Gaguim (PMDB) em um caso de investigação de fraude em licitações públicas.


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