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Aumenta o número de “consumidores passivos de notícias”, diz pesquisa

Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters aponta que pelo menos 47% dos entrevistados não participam de forma alguma dos informativos

Quase metade dos consumidores de notícias no ambiente virtual, 47%, não participa de forma alguma do que lê. Esse é um dos pontos destacados no Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters 2023. O número é cinco pontos percentuais acima do revelado em 2018. O estudo analisou as tendências ao longo do tempo na participação global em conteúdos para entender melhor se ter mais meios de envolvimento digital se traduziu em maior ação real entre o público.

Para entender melhor esse aspecto, o trabalho divide os usuários em três grupos. Os participantes ativos, que publicam e comentam sobre as notícias; os reativos, que leem, curtem ou compartilham; e os passivos, que usam os conteúdos, mas não participam deles. Dessa forma, o levantamento também apontou que, em 46 mercados, 22% dos entrevistados são ativos – uma queda de 11% desde 2018. Já um número cada vez maior é reativo (31%) – aumento de seis pontos percentuais desde 2018. 

Os padrões variam de acordo com a região, com uma participação mais ativa na África, no sudeste asiático e na América Latina do que na Europa Central e do Norte. Em muitos dos mercados com tendências à participação ativa, também há maior aceitação das redes sociais e para notícias especificamente. Um exemplo é a Tailândia, onde a mídia social é a principal porta de entrada para as matérias. No país, 36% dos usuários são participantes ativos. Já na Alemanha, onde as conexões diretas com as marcas de notícias continuam mais fortes, somente uma em cada 10 pessoas interage com o conteúdo.

Há uma forma de compartilhamento, porém, que cresceu: por meio de aplicativos de mensagens privadas. Esse aumento foi de 17% em 2018, para 22% em 2023. O comportamento é mais acentuado na América Latina, no sudeste asiático e no sul da Europa, mas também há uma aceitação mais ampla em todos os mercados de plataformas como WhatsApp (mais nove pontos desde 2018) ou Telegram (que cresceu 12 pontos). Apesar da participação off-line também estar sujeita a declínios, conversar pessoalmente com amigos e colegas sobre os fatos ainda é a forma mais relatada de participação nas notícias: 32% fazem isso, uma queda de sete pontos em relação a 2018. 

Motivação

Para Kirsten Eddy, pesquisadora de pós-doutorado em notícias digitais no Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, um dos motivos está relacionado ao fato de que alguns indivíduos evitam compartilhar notícias publicamente porque percebem que os debates on-line, ou as notícias em geral, são tóxicos. A pesquisa mostra que os usuários que afirmam que suas experiências de envolvimento com notícias on-line são negativas (21%) têm quase quatro vezes mais probabilidade de não se envolver do que aqueles que afirmam que são positivas (6%). “Essas percepções podem estar piorando à medida que um grupo relativamente menor, e menos representativo, de pessoas compõe a maior parte do que vemos como participação ativa nas notícias”, destaca.

Kirsten também defende que é o momento de jornalistas e pesquisadores repensarem o que significa o engajamento e a participação em um ambiente de notícias mais on-line, mas menos abertamente participativo. “Isso inclui refletir sobre os públicos deixados para trás quando esses espaços são tomados pela toxicidade ou pelo partidarismo, geralmente as mesmas pessoas que há muito tempo são mal atendidas ou mal representadas pela mídia”, conclui. O estudo completo pode ser conferido neste link

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