Com o slogan ‘Bem-vindo de volta’, a 23ª edição do Porto Verão Alegre comemora, neste ano, o retorno presencial do público, após a última edição ter sido totalmente virtual. Ainda assim, para acompanhar os espetáculos será obrigatória a apresentação do passaporte vacinal e de um documento de identidade. Os ingressos, que variam de valor conforme a apresentação, são vendidos exclusivamente de forma on-line pelo site, onde também é possível conferir a programação completa.
Em conversa com o Coletiva.net, o idealizador do festival, Zé Victor Castiel, comentou sobre as expectativas, os desafios e a importância de poder retomar a realização presencial. “A classe do entretenimento cultural trabalha e tem a sua arte apreciada na aglomeração. A gente só consuma o nosso ofício presencialmente”, afirmou.
Ele considera que a realização do evento por meio de lives, na edição anterior, foi prejudicial para a essência dos trabalhos apresentados. “Live é televisão, não é teatro. E as artes cênicas são em 3D desde que nasceram”, ponderou. Com a volta do presencial, a preocupação em proporcionar um ambiente seguro, de descontração e alívio para a saúde mental foi um dos objetivos desta edição.
Ainda assim, a realização do evento ainda em meio à pandemia é um desafio, principalmente em vista do aumento do número de casos de Covid após a virada do ano, causados pela variante Omicron. “Redobramos os cuidados protocolares nas salas de espetáculo e, por conta própria, diminuímos as capacidades dos teatros. O público que vai comparecer está seguro”, garantiu Zé Victor. Até o momento, não houve nenhuma apresentação cancelada e ele espera que mantenha assim até o final.
Volta às raízes
À reportagem, Zé Victor relatou algumas dificuldades na produção do festival, principalmente na questão financeira. Segundo ele, por quase toda a sua existência, o Porto Verão Alegre contou com a captação de verba de patrocinadores feita pela própria equipe do evento. Os artistas e grupos que se apresentavam recebiam 90% do dinheiro da bilheteria, enquanto os outros 10% voltavam à organização.
No entanto, esse cenário havia mudado nas últimas edições. “Nos socorremos na Lei Rouanet e conseguimos aumentar o orçamento do festival e começar a pagar cachê para os grupos, além do dinheiro da bilheteria”, explicou o produtor. Ainda assim, para esta edição a aprovação no programa de aporte financeiro não chegou a tempo, visto que, para ser viabilizado em janeiro, o festival começa a ser planejado em março do ano anterior. “A autorização de captação de verba veio só em 15 de dezembro”, explicou Zé Victor.
Neste sentido, a opção foi por não captar verba por meio da lei. “Recorremos a patrocinadores antigos e fiéis e fizemos uma conta para colocar o Porto Verão com 63 espetáculos, um número bacana”, ponderou o produtor, ao definir esta edição do festival como “uma volta às raízes”.


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