A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) apurou que dos 315 bloqueios no Twitter contra profissionais de Imprensa, até a última terça-feira, 11, 291 foram realizados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), os filhos, que também ocupam mandatos eletivos, ministros e secretários especiais de Estado, além de parlamentares que compõem a base de apoio do atual governo. O chefe do Executivo lidera a lista de bloqueadores, com distribuição de 82 vetos a jornalistas e oito a veículos de Comunicação.
O diretor de Políticas Públicas do Twitter na América Latina, Hugo Rodriguez Nicolat, entende que a rede social não precisa interferir na decisão de autoridades de bloquearem usuários, “já que o recurso é prerrogativa de quem usa a rede social e é uma situação que não se desenrola pela rede social, mas sim por pessoas que utilizam a plataforma”.
Em tutorial publicado no Youtube, a plataforma de microblog afirma que o bloqueio pode ser usado por usuários para evitar ver postagens rudes, maldosas, sem senso, inadequadas ou perturbadoras. Jornalistas ouvidos pela Abraji afirmaram que foram bloqueados por criticar o presidente e pela atuação como profissional de Imprensa. Ainda há profissionais que desconhecem o motivo.
Para a Abraji, que monitora bloqueios de autoridades contra jornalistas no Twitter desde setembro de 2020, a prática configura restrição de acesso a informações públicas garantido pela Constituição Federal. Em julho do ano passado, a entidade acionou o Supremo Tribunal Federal, via mandado de segurança coletivo, para que o presidente desbloqueie os profissionais de imprensa banidos de sua conta na rede social.


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