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Boni dá uma aula sobre televisão digital

Foi na abertura do Maximídia, agora pela manhã

A comunicação digital e a relação entre televisão e propaganda foi o foco da palestra realizada esta manhã pelo empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na abertura do MaxiMídia 2006, que acontece de hoje a quinta-feira, no World Trade Center, em São Paulo. O evento, maior do gênero na América Latina, está sendo transmitido para 23 cidades, entre elas Porto Alegre: em um telão com vídeo e áudio perfeitos (com exceção de uma falha na transmissão, registrada nos primeiros 20 minutos), os participantes podem acompanhar, desde o auditório do IPA, todos os painéis e debates, e ainda encaminhar perguntas por e-mail.

Sócio da TV Vanguarda e ex-vice presidente da Rede Globo, Boni fez uma exposição clara e didática, que chegou a ser saudada como “uma aula magna”, por um dos painelistas. Ele alertou que a nova tecnologia digital trará não apenas benefícios mas alguns problemas iniciais, a começar pela elevação de custos em toda a cadeia produtiva do setor, que vão afetar o bolso dos produtores, transmissores, anunciantes e até dos telespectadores.

Boni abriu sua palestra com imagens do apresentador Chacrinha. E explicou: “Eu não vim aqui para explicar, mas também não quero confundir. Vim para analisar e refletir”, disse, adaptando o bordão do Velho Guerreiro. Depois, exibiu uma série de depoimentos de anunciantes, publicitários e executivos de veículos sobre o futuro da televisão, para então começar a descortinar seus próprios argumentos. Segundo ele, o impacto inicial da adoção da tecnologia digital será na produção – algumas emissoras já fazem captações em equipamento avançado. O problema, para Boni, é que dificilmente o ritmo da produção televisiva, necessariamente acelerado, vai permitir que toda a qualidade disponível seja aproveitada.

Outro problema é a questão dos formatos (a televisão analógica trabalha na proporção de 4 por 3, enquanto a digital é 16 por 9). “Vai ser um tal de tarja preta embaixo ou nos lados da tela”. Não bastasse isso, Boni diz que a televisão será, durante um longo tempo, recebida de maneira analógica pela massa de telespectadores, mesmo que sua emissão ocorra de maneira binária. “O sinal vai passar pelo set top box (conversor). Não haverá um benefício evidente na qualidade da imagem”.

Boni jogou água fria nas promessas de interatividade. “Nesse ponto, a televisão digital não oferece nenhuma vantagem em relação ao analógico”, disse. E explicou: “Para a interatividade, é preciso uma via de duas mãos, que não vai existir. O contato com a emissora ainda vai depender da telefonia ou da internet, como ocorre hoje”. O chamado T-commerce – comércio pela televisão – também não tem grande futuro, segundo ele. “Vamos supor que seja possível comprar a camisa que o ator está usando na novela. Como eu vou fazer a compra? Eu preciso parar de assistir ao programa. E imagine que 5 milhões de pessoas queiram fazer a compra. Não existe logística para isso.”

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