Cerca de 200 pessoas estiveram na ADVB/RS, na manhã desta quinta-feira, 12, para assistir à palestra de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Em tom de descontração, o ex-diretor da Rede Globo iniciou sua explanação dizendo que seria breve, e assim o fez. “Tenho um amigo que diz que é melhor falar pouco, porque nem sempre o que você tem para falar o outro quer ouvir”, brinca. Ao contar o que o levou a escrever ‘O livro do Boni’, ele explicou que colocou sua vida pessoal no liquidificador e a triturou, portanto, sua obra é relacionada à trajetória profissional. “Meu livro é um hino de amor à televisão e de agradecimento às pessoas que trabalharam comigo”, disse, recebendo muitos aplausos.
Ao registrar sua caminhada pela comunicação brasileira, destacou algumas emissoras onde trabalhou, como Excelsior, Tupi e TV Rio, e contou situações marcantes na carreira. A chegada na Globo, as relações com Dercy Gonçalves, Walter Clark, Armando Nogueira, Nereu Bastos e o próprio Roberto Marinho, a quem se refere como “doutor Roberto”, foram citadas em sua explanação. Ao falar sobre Marinho, revelou que ele odiava Leonel Brizola, e acrescentou: “O Brizola foi a pior coisa que vocês, gaúchos, nos mandaram”. As experiências em comunicação também o fizeram passar pelo mundo publicitário, o que o fez apresentar um vídeo para transmitir a mensagem: ““Propaganda não é mais uma tendência. É uma realidade irreversível”.
Mediado pelo diretor do Núcleo de Especiais, da RBS TV, Gilberto Perin, Boni respondeu às diversas perguntas do público. Conhecido pela intolerância ao erro, ele explicou a fama: “Éramos amadores e estávamos descobrindo como se fazia televisão, mas sabíamos o que queríamos. Não podíamos continuar improvisando. Precisávamos exibir qualidade”. Por outro lado, alertou que, ao chamar a atenção de alguém, a repressão nunca foi à pessoa e, sim, ao seu trabalho.
Boni ressaltou que sua formação é no Jornalismo e, portanto, o que assiste na TV está relacionado à informação, pois quando vê outro tipo de programa fica nervoso, criticando iluminação, cenário, aparência e etc. A paixão pelo veículo, apesar de ser declarada a todo mundo, é alertada para que se tenha cautela. “Não vale tudo pela audiência, até porque não adianta pensar apenas em números. Ela tem que ter qualidade. O público que me assiste precisa ser interessante. Temos que fazer TV para todo mundo e fazer bem feito.”
Antes de encerrar, Boni foi questionado sobre sua opinião em relação ao que a Rede Globo produz atualmente e não poupou críticas: “O mal que podia ser feito para a Globo já foi feito. O padrão de qualidade foi perdido. Tenho saudade da Globo que fazíamos antigamente.” Por outro lado, ponderou e defendeu a emissora na qual se projetou dizendo que ela formou ótimos profissionais. Além disso, disparou: “As outras emissoras não têm competência para copiá-la. E não é por causa de dinheiro. Quando cheguei, trabalhei de graça porque a empresa não podia pagar meu salário. Dr. Roberto deu dinheiro do seu bolso para começar. E, hoje, as emissoras têm muito mais capital do que a Globo tinha na época”.


