A inteligência artificial está alterando a forma como as organizações constroem reputação e se relacionam com seus públicos. Essa foi a principal discussão do encontro realizado pelo Capítulo Aberje Sul, na última semana, na Unisinos. O evento reuniu representantes do mercado e da academia para debater os impactos da tecnologia na Comunicação Corporativa, destacando que a jornada de decisão do consumidor deixa de ser baseada no clique para passar a depender cada vez mais de recomendações geradas por sistemas de IA.
Promovido com apoio da Unisinos e do Jesuítas Brasil, o evento foi organizado em diferentes painéis dedicados a temas como formação profissional, habilidades humanas, governança e aplicação prática da inteligência artificial nas organizações. A abertura institucional contou com Victor Pereira, gerente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), seguido por Ana Paula da Rocha, gerente de Marca e Reputação da Randoncorp e diretora do Capítulo Aberje Sul.
A programação incluiu o painel ‘Inteligência Artificial e Comunicação Corporativa: tendências, reflexões e perspectivas’, com Taís Flores da Motta, coordenadora dos cursos de Relações Públicas e Comunicação Digital da Unisinos, e Vinícius Ghise, sócio e CEO da Global AD, com mediação de Victor Pereira. Já o segundo painel reuniu Leandro Andreatta, diretor administrativo do Instituto Hercílio Randon, apoiado pela Randoncorp, Ana Paula da Rocha e Bianca Franchini, gerente de Reputação Corporativa do Sicredi.
Algoritmos e formação profissional
Durante os debates, Ana Paula afirmou que a lógica da comunicação mudou com a ascensão da inteligência artificial. “A decisão de compra não começa mais no clique. Ela começa na recomendação”, afirmou. Por sua vez, Bianca Franchini pontuou que a IA deve ser vista como um novo stakeholder que influencia a percepção pública. Para ela, a tecnologia potencializa o trabalho de quem já possui repertório estratégico, mas não substitui a construção desse conhecimento.
Ao abordar a formação dos futuros comunicadores, Taís Flores chamou atenção para o papel da universidade nesse processo. Ela alertou para o risco de substituir estagiários por ferramentas de inteligência artificial, comprometendo a formação prática de novos profissionais, e defendeu que o uso dessas tecnologias deve estar sempre acompanhado de uma análise crítica sobre a origem e a qualidade dos dados utilizados.
Pelo lado da aplicação prática, Leandro Andreatta apresentou como a governança e a eficiência são pilares para a incorporação da tecnologia nos negócios. Dados da Pesquisa Aberje 2026 reforçam essa urgência: a adaptabilidade às novas tecnologias é a habilidade mais valorizada para o futuro (74%), e a IA/automação já é um desafio para 59% das áreas de comunicação.

