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Cartunistas defendem o humor como agente de mudanças

Ataque aos chargistas do Charlie Hebdo pautou debate na ESPM

Na sexta-feira, 6, o curso de Jornalismo da ESPM e o Núcleo de Estudos em Jornalismo (Nejor) da escola levaram a debate a provocação “Somos todos Charlie? E o que isso significa?”. Os cartunistas Santiago Neltair Abreu e Moa Gutterres foram unânimes em responder “Sim, somos Charlie” e defender o humor como elemento para ajudar a quebrar tabus. Com vivência na grande imprensa e na imprensa alternativa, os desenhistas falaram sobre os desdobramentos do ataque aos chargistas do jornal Charlie Hebdo e fizeram um paralelo entre a profissão e o atentado. O evento, que inaugurou o novo estúdio de TV da instituição, também contou com a participação das professoras Ana Simão, doutora em Relações Internacionais, e Adriana Kurtz, coordenadora do Nejor e mediadora do painel.

“Me senti na condição de advogado de defesa, quando as pessoas começaram a tentar justificar um fato que me chocou muito por ser cartunista, por ser a favor da liberdade de expressão”, relatou Santiago. Para o cartunista, o Charlie Hebdo avançava na crítica contra tudo que é relacionado ao poder, principalmente da religião. “O poder da religião assusta muito. Eles eram profissionais que sempre primaram pelo estado laico. E o crescimento do islamismo na Europa criou certo medo. O que me assusta muito é que o mundo volte a ser comandado como na Idade Média”. Santiago se disse um admirador do jornal francês há bastante tempo e defende que a irreverência muda o mundo e quebra tabu. “O humor sempre ofende”, ressalta.

“Sou Charlie também. E o que mais me assustou depois do atentado foram as pessoas que passaram a dizer “Eu sou Charlie, mas eles pediram””, relembrou Moa. Para ele, o humor é do mal, este é o primeiro princípio do humor. Não tem como fazer humor sem quebrar regras. “Não tinha como o pessoal do Charlie Hebdo não fazer charge de Maomé, já que fazem de outras religiões”, afirmou. Lembrando o período da ditadura, Moa afirmou que, naquela época, existiam dois lados bem definidos, o que tornava mais fácil se posicionar. “Está difícil a comunicação nos dias de hoje. Cada posição pode ser lida de diversas maneiras, principalmente, depois que é colocada nas redes sociais. Fico assustado com esta coisa dinâmica, da internet, tem muito mais coisa envolvida num atentado como este e tinham pessoas dando explicação, querendo justificar o ato.” Para o cartunista, o terrorismo hoje em dia é um grande case de marketing. “Eles estão sabendo muito bem usar os meios de comunicação”, analisou.

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