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Chico Daniel, um otimista, sempre

Jornalista morreu no final de semana em Brasília, vítima de câncer no intestino

“Tenho um câncer no intestino grosso, no reto, de nível médio. Quer dizer, não estou morrendo, mas também preciso tratar com urgência, antes que se torne fatal”. Assim, crua e objetivamente, o jornalista Chico Daniel informava aos amigos sobre seu estado de saúde. Otimista sempre, encerrava com um “não vou desanimar”, mas a doença foi cruel e o matou neste sábado, 3, depois de um período de seguidas internações e fragilidades.”O fim de semana de sol em Brasília acolheu nosso amigo Chico Daniel em sua última viagem. Muita luz em seu caminho. Chico partiu escutando uma linda seleção musical de jazz e Piazzola”, registrou a jornalista Márcia Turcato, que seguidamente transmitia notícias sobre o amigo comum durante os meses de internações.

Durante o encontro do PT realizado no final de semana em São Paulo, o presidente do partido, deputado estadual Rui Falcão, leu nota de pesar pela morte do jornalista, que foi líder estudantil no Rio Grande do Sul e fundador do PT em Porto Alegre. Chico Daniel, que morreu aos 55 anos, passou por várias redações jornalísticas, entre elas as da NBR, da TV Cultura e dos jornais Folha da Tarde e Zero Hora, em Porto Alegre, nos anos 1980. Na nota do PT ficou registrado que Chico Daniel sempre esteve entre os movimentos contra a ditadura e “participou ativamente da construção da democracia e do País mais igualitário que temos hoje”. Foi um dos principais líderes do movimento estudantil no Rio Grande do Sul – no jornalismo da Ufrgs, desde 75, e no DCE. “Chico Daniel desenvolveu uma militância também na profissão, com reportagens para o ‘Coojornal’, o jornal ‘O Rio Grande’ e o alternativo ‘Lampião’. Como integrante do Departamento de Organização Sindical do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Chico Daniel também ampliou a articulação da categoria no Estado”.

Chico também teve participação fundamental na construção do Partido dos Trabalhadores desde sua fundação. O primeiro núcleo de moradia do PT em Porto Alegre, por exemplo, foi na garagem da sua casa, onde vivia com a também jornalista e militante Bete Portugal. Ele também participou ativamente da militância em comunidades, levando a ideia do PT e organizando núcleos do partido na periferia da capital gaúcha. A nota ainda registra que deixa seis ex-mulheres oficiais (“com quem viveu intensamente em diferentes momentos de sua vida”) e três filhos: Daniel (28), Nina Rosa (16) e Clarinha (8) – de três casamentos diferentes.

Mais recentemente, em Brasília, Chico participou dos governos Lula e Dilma na antiga Radiobrás; depois na EBC, a Empresa Brasil de Comunicação; no Ministério da Educação; no Instituto de Colonização Reforma Agrária e, por último, de volta ao PT. Foi no final de sua marcante trajetória, justamente no Partido dos Trabalhadores, desde 2009, que Chico Daniel teve talvez seu projeto mais intrépido: ajudar a construir e a implementar a Rádio e a TV do PT.

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