Cinco perguntas para Alberi Neto

Campeão em Reportagem Geral no 'Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo', jornalista do Diário Gaúcho acredita no "Jornalismo de Soluções"

23/02/2023 11:00
Cinco perguntas para Alberi Neto /Arquivo pessoal

1 - Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou Alberi Neto, repórter do Diário Gaúcho e morador de Porto Alegre. Vou tentar contar de onde eu venho, é uma história meio bagunçada. Meus pais circulavam muito no final da década de 1990. Apesar de eles morarem em Torres, no Litoral Norte, acabei por nascer em Santa Catarina, na cidade de Praia Grande (que não tem praia e nem é grande). Brinco com meus amigos que minha "nacionalidade gaúcha" é uma farsa, pois sou natural do estado vizinho. Aliás, acho que visitei Praia Grande uma vez só depois que nasci, mal conheço. 

Enfim, logo depois do nascimento, meus pais mudaram para Porto Alegre, onde vivi até 2007, quando voltamos para Torres. Lá, passei o final da infância e minha adolescência. Neste período, perdi meu pai, que faleceu aos 39 anos. Daí em diante, minha mãe criou eu e meu irmão, hoje com 23 anos, com o trabalho como empregada doméstica. Com o fim do colégio se aproximando, fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e fui aprovado para uma bolsa do ProUni em Porto Alegre. Em 2015, voltei para a Capital, onde vivo desde então.

Hoje sou repórter da editoria de Geral do Diário Gaúcho. Trabalhar no DG sempre foi um sonho, porque cresci lendo o jornal. Entrei no Grupo RBS em 2017, como estagiário da 'Editoria do Leitor', um coração pulsante do veículo. É o principal canal de contato entre o público e a redação. Depois, virei assistente de conteúdo, ainda na mesma editoria. E, no final de 2018, pouco antes de me formar em Jornalismo, fui aprovado em um processo de seleção para ser repórter. Então, o que eu faço é aquele clichê clássico do jornalista: conto histórias, como um bom repórter pode e deve fazer. 

2- Por que você decidiu fazer Jornalismo?

Acho que não decidi, eu só nunca soube outra coisa para fazer. A lembrança mais antiga que tenho com o Jornalismo é dos atentados de 11 de Setembro. Tinha quatro anos e recordo de ficar sentado em frente à TV, de olhos arregalados. Pelos próximos dias (ou semanas), desenhava em folhas a cena do atentado, com rabiscos que se assemelhavam a manchetes (eram capas improvisadas de jornais). E, desde então, foi sempre assim. Quando dava, por brincadeira, por trabalho da escola ou por qualquer motivo, fazia um jornal, impresso, em vídeo, no que fosse possível. 

No final do Ensino Médio foi a primeira vez que duvidei da vontade de fazer Jornalismo. Uma professora e hoje grande amiga impressionava nas aulas de História. Era a professora Nadiana Rosa, que ainda leciona, aliás. Tanto impressionava que me deu vontade de seguir o curso, mas logo percebi que o gosto mesmo era pelo jornal.

3- No final de 2022, você venceu na categoria Jornalismo Impresso- Reportagem Geral no 'Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo'. O que esse prêmio representa para você e como ele contribui para o desenvolvimento da sua carreira?

O 'ARI' sempre pareceu distante, ainda mais pelo foco que temos no DG, da notícia mais objetiva, curta e direta, aquela necessária para os nossos leitores. Mas, sempre que possível, há o espaço para grandes conteúdos. E o Diego Araújo, editor-chefe do DG, apoia, incentiva (e até cobra) que a gente busque colocar nossas pautas no papel. E foi assim ao longo dos últimos dois anos, com grandes conteúdos sendo produzidos pelo jornal, dos quais alguns fui responsável por produzir. Com a régua elevada na nossa produção, acho que o 'ARI' foi uma consequência natural. Fiquei feliz demais não só por ganhar, mas pelos dois primeiros lugares na categoria Impresso, uma das mais prestigiadas do prêmio, serem de matérias do Diário Gaúcho, salvo engano, um fato inédito na história do prêmio.

Sempre brinquei que um dia, se conseguisse ganhar um 'ARI', iria me aposentar. Acreditei que demoraria muito mais tempo. Mas, fico feliz que tenha acontecido antes, ainda aos 25 anos. É um combustível para tentar mais e mais vezes e, quem sabe, conseguir outra vez algum dia (aí eu me aposento de verdade). 

4- Como você entende que o Jornalismo pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade?

O resultado do 'ARI' mostra um pouco isso. As duas histórias que o DG contou e foram vencedoras falam de pessoas, de questões extremamente importantes para quem nem sempre é ouvido. Os problemas da educação pública ainda mais sucateada na pandemia, os desafios de querer saúde, um bom emprego, uma casa, situações que, para uma fatia enorme da população, são quase como um sonho distante demais. Traduzir esses sentimentos e fazer com que outros leitores se vejam nessas histórias é um exercício recompensador. 

Mais ainda, mostrar nestas produções caminhos e soluções que a sociedade pode adotar são papel vital do Jornalismo. E o Grupo RBS vem adotando cada vez mais isso, com o Jornalismo de Soluções sendo uma prática frequente, onde tentamos ir além de mostrar um problema e ouvir um contraponto. Tentamos também discutir o que pode ser feito para sanar ou melhorar aquilo. Isso dentro de uma perspectiva de mundo real. Não adianta sugerir um catamarã passando no Dilúvio, tem que ser algo palpável. 

Então, acho que o nosso papel é esse, de intermediar, sugerir, mostrar caminhos e possibilitar que a sociedade se veja e se discuta por meio da imprensa. Além do papel clássico de "cão de guarda", de fiscalizar o poder público e de ser a ponte de ligação entre quem não consegue ser ouvido e o Estado.

5 - Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Acredito que estou em um momento de aprender ainda mais como repórter. E ao longo do tempo, tentar construir a carreira por dois caminhos, seja daqui a cinco anos ou mais. O primeiro, será a gestão, um caminho que me atrai e onde acredito que posso crescer muito profissionalmente. Ou então o amadurecimento da carreira na reportagem, quem sabe migrando entre plataformas do próprio grupo, uma possibilidade bem palpável diante da Redação Integrada da RBS, com rádio, jornal e TV cada vez mais próximos.