1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Sou Deydrid Kaefer, nascida em Porto Alegre, mas com fortes raízes pela Serra Gaúcha, de onde vem toda a minha família. Atualmente, sou noiva, mãe da Maitê, de dois aninhos, e alguém que definitivamente não sabe viver no ‘piloto automático’.
Eu tenho uma rotina que é um verdadeiro laboratório multiplataforma. No mercado de tecnologia e audiovisual, sou head de Operações da Box Brazil Play e atuo no licenciamento da Media Mundus, agregadora e distribuidora do Grupo Box Brazil. É um trabalho executivo, denso, onde lido diariamente com métricas, curadoria e distribuição digital para garantir que o conteúdo brasileiro independente tenha a vitrine que merece.
Por outro lado, sou empreendedora e proprietária do Kuandú, um restaurante focado em gastronomia de afeto e ancestralidade, que fica na vinícola Cave do Sol, no Vale dos Vinhedos. Assumi também como apresentadora do programa ‘Vinhos & Sabores’ na Coletiva.rádio. No fim das contas, sou essa mistura de planilhas e tecnologia com o aconchego da cozinha tradicional familiar, sempre com o foco em proporcionar experiências significativas e verdadeiras para as pessoas.
2 – Quais foram os momentos mais marcantes da sua vida profissional?
O meu gosto por esse mercado audiovisual começou dentro do próprio Grupo Box Brazil. Foi o trabalho que, de fato, mudou a minha vida e onde eu me descobri profissionalmente. É exatamente por isso que um dos momentos que dividem a minha história foi assumir a linha de frente das operações da Box Brazil Play. Lidar com o desafio de estruturar um streaming do zero, organizar o licenciamento de milhares de horas de conteúdo e entender a engenharia pesada do Video On Demand (VOD) me deu uma visão muito madura e realista do mercado. Ver a plataforma nascer e provar que o cinema nacional tem força para bater de frente com as gigantes globais é algo que me emociona.
O segundo momento foi a criação do Kuandú. Por mais que o DNA da família sempre estivesse na gastronomia, com restaurantes já fundados e gerenciados pelos meus pais, o Kuandú foi uma aposta minha e do meu irmão, tocando tudo que aprendemos a fazer e não fazer com as experiências anteriores.
3 – Em abril, você começou a atuar também na atração ‘Vinhos & Sabores’ na Coletiva.rádio. Como é a experiência de apresentar o programa?
Tem sido incrível, justamente porque me puxa para fora da ‘bolha’. Quem trabalha com tecnologia, operação e licenciamento acaba criando um vício natural em olhar só para a conversão, para o digital, para os dados. O rádio quebra isso. Ele me devolve a intimidade e a conexão direta com as pessoas.
Apresentar o ‘Vinhos & Sabores’ é, no fim das contas, a extensão e a voz de tudo o que eu já tento transmitir no Kuandú. Ali no microfone, eu deixo a executiva um pouco de lado e mergulho no sensorial. Falamos sobre o tempo das coisas, a origem dos ingredientes, a dedicação dos produtores locais e as histórias que estão engarrafadas. É uma descompressão deliciosa para mim e, acredito, para o público, que busca cada vez mais conteúdos autênticos, sem fórmulas engessadas.
4 – Quais foram os principais desafios e conquistas como head de Operações da Box Brazil Play?
O mercado de streaming não perdoa o amadorismo. O nosso grande desafio foi, e ainda é, equilibrar a exigência brutal da tecnologia de ponta com a realidade do nosso produtor independente. Hoje, lidamos com padrões técnicos rigorosíssimos da indústria global (pacotes de transcoding, metadados estruturados, especificações de thumbnails responsivos para cada player parceiro) e precisamos pegar na mão de muitas produtoras nacionais para educar e adaptar esse material.
Não basta colocar toda a energia e paixão apenas no set de filmagem, na captação ou na produção em si e esquecer o resto. É preciso ter a mesma preocupação e rigor com a parte regulatória (como a documentação correta) e com a criação de excelentes materiais de apoio (pôsteres responsivos, sinopses atrativas, trailers).
A nossa maior conquista nasceu justamente dessa ‘dor’: nós estruturamos um ecossistema real e sustentável. Nós furamos a bolha de que o brasileiro só consome Hollywood. Quando recebemos um e-mail de um diretor vibrando porque seu filme independente entrou no nosso ‘Top 10’, ou quando ajudamos produtoras a cumprirem as exigências de editais (como o ProAC) dando a elas uma janela oficial de exibição, temos a certeza de que a educação de mercado deu certo e que estamos fazendo a roda girar.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Quero continuar bebendo direto na fonte do que me move, mas expandindo o meu impacto. No audiovisual, o foco é manter o Box Brazil Media Group na vanguarda, estruturando e liderando novos modelos de monetização (como canais FAST e AVOD) para garantir que o produtor nacional ganhe dinheiro de verdade e o mercado seja cada vez mais lucrativo.
No lado empreendedora, quero ver o Kuandú estabilizado não apenas como um restaurante, mas como uma referência absoluta de hospitalidade e cultura gastronômica no Rio Grande do Sul.
De forma mais pessoal, e pensando no exemplo que quero deixar para a Maitê, pretendo usar cada vez mais a minha voz, sendo na rádio, nas colunas e possivelmente em conselhos e mentorias, para bater em uma tecla que acredito muito: a verdadeira inovação não precisa vir do Vale do Silício e nem falar inglês. Ela nasce da nossa resiliência para resolver problemas reais. Quero continuar construindo pontes entre as dores do mercado e as soluções, provando que quando a gente valoriza o que é nosso, todo o ecossistema cresce junto.

