- Quem é você, de onde vem e o que faz?
Sou publicitária, ilustradora e aspirante a quadrinista. Sou de Porto Alegre, mas também sou da Ufrgs e da PUC. Atualmente, trabalho na editora da PUCRS, a Edipucrs, no Laboratório de Publicações Eletrônicas, onde se pesquisa novas formas para publicações digitais.
- O que representa o reconhecimento no prêmio HQ Mix?
O prêmio HQ Mix, por ser um dos grandes prêmios na área dos quadrinhos, valida a relevância da pesquisa, mostra a importância que as histórias em quadrinhos online possuem atualmente no mercado brasileiro. Ele também traz uma enorme satisfação pessoal, pois, além de acompanhá-lo há algum tempo, dentro da banca examinadora estão grandes nomes de pesquisadores da área dos quadrinhos. É responsável pelo incentivo a formas inovadoras e de incentivo a novos talentos, além de dar a maior força para os quadrinistas brasileiros.
- Como se deu a escolha pelo tema e pelo formato do trabalho?
A principal motivação foi o desafio de prototipar, de criar a história do Frankestino, de vivenciar essa experiência. Quis desenvolver desde a criação do personagem, ver as dificuldades do processo e as buscas pelas soluções. Sempre tive interesse em levar uma história em quadrinhos adiante e aproveitei o período de estudo. O resultado do trabalho foi em formato digital devido à facilidade de publicar nesse meio e por permitir novas interações com os leitores.
Já o formato do TCC, de ter como resultado um protótipo, foi desenvolvido a partir de conversas com o meu orientador, Vinícius Mano. Buscamos a melhor maneira de apresentar o produto do trabalho e acabamos inovando no formato de TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) da Famecos.
- Quais foram as principais constatações do estudo?
A primeira foi a importância da análise do mercado e da linguagem que utiliza antes de produzir para ele, de forma que o trabalho não se torne um elemento estranho. Também se deve deixar a forma da história se transformar durante o processo de criação. É a narrativa que irá guiar quais são estes novos elementos que podem ser inseridos dentro da história. Eles devem funcionar a favor da história e da experiência de leitura. Ainda, é necessário ter algum tipo de conhecimento na linguagem da web, para melhor controle narrativo e para desenvolvimento do site. E, por último, o usuário (leitor) é um cocriador da webcomic, por ele atuar na sua linearidade. Ele é um elemento ativo na narrativa.
- Qual é a sua percepção sobre o cenário das HQ na internet?
A internet está servindo como uma grande vitrine para quadrinistas, facilitando a inserção de novos autores no meio. A interação positiva que existe entre autores e leitores serve de incentivo para que exista constância nas publicações, o que é extremante benéfico para o crescimento da área. Entretanto, essa facilidade de publicação acaba misturando e colocando no mesmo patamar trabalhos bons e ruins. Cabe aos artistas saberem como se sobressair, seja com a história, com a arte ou com inovações na narrativa.


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