1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Sou diretor de Arte da agência Boca, onde trabalho desde a fundação, em novembro de 2009. Antes disso, trabalhei um ano na DCS como assistente de web, e trabalhei em diversas funções na MTV RS, Bienal do Mercosul e Escola de Administração da Ufrgs.
2. Qual o sentimento de vencer a etapa regional do Young Lions Brazil?
Fiquei surpreso, pois meus trabalhos fogem muito do que havia na maioria dos portfólios inscritos. Eu nem ia me inscrever, na verdade, porque só tinha um anúncio impresso. Meus principais trabalhos são ações de mídias digitais e interativas ou outros formatos. No final, o critério de seleção me surpreendeu. Acho isso muito bom, pois denota uma mudança de mentalidade na propaganda gaúcha, algo que já estava para acontecer há anos.
O conteúdo de marca e a ação sem mídia definida têm respondido muito bem aos problemas dos clientes, além de promover uma aproximação maior com o público-alvo. É algo que muitos ainda têm medo de investir, pois soa mais eficaz aplicar a verba em comerciais de 30 segundos e anúncios em jornal e revista. Aos poucos, essa mentalidade está mudando e acho isso ótimo para a minha área.
3. O que todo diretor de arte deve saber?
Não tenho muita propriedade para responder a esta pergunta, mas acredito que todo criativo – ou todo profissional da propaganda – tem que saber absorver todo tipo de referência. Tem uma galera que sabe tudo de propaganda, conhece os grandões, decora premiados e peças de Archive. Isso até é legal, é bom entender do universo que tu trabalhas, mas não é o suficiente.
É preciso viver e fazer de tudo. É bom estar ligado no cinema, na música, nas artes, na fotografia e nas notícias. Qualquer coisa pode virar referência. E é bom até para aprender a se desligar do trabalho. Procuro sair da propaganda sempre que possível – ter em mente que não passa de um ganha-pão. Entre os diretores de arte, uma coisa muito comum que observo é que o pessoal perde o contato de formas de arte que não sejam puramente visuais. Param de ler. Acho importante ler, nem que seja uma revista. É o tipo de coisa que diferencia o profissional.
4. Qual o ganho que esperas ter com a participação no Festival de Cannes?
Acho que as trocas de ideias que acontecem por lá serão valiosíssimas para meu crescimento profissional e pessoal. Principalmente com os outros jovens. Estou ansioso para conhecer gente de todo o mundo com problemas e desafios semelhantes aos meus, além de ver as premiações e assistir às palestras de gente consagrada no mercado, é claro. Mas acho que o mais importante é o intercâmbio com as pessoas.
5. O que imaginas estar fazendo em cinco anos?
Não tenho a menor ideia. Mas obrigado por me fazer pensar nisso. Preciso planejar.



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