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CNI sugere que foco seja direcionado para manter ritmo atual

Atenções também se voltam para turbulência no cenário internacional

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê menor dinamismo do setor industrial em junho, com recuo das horas trabalhadas e aumento da ociosidade. E, com o agravamento do cenário financeiro internacional, o foco da política econômica deve passar a ser a manutenção do ritmo da economia, avaliou nesta segunda-feira, 8, o gerente-executivo da unidade de política econômica da entidade, Flávio Castelo Branco.

“A preocupação no momento não deixa de ser com a inflação, mas sem dúvida a turbulência no cenário internacional puxa o foco da preocupação maior para a manutenção do nível de atividade”, disse Castelo Branco, ao apresentar os indicadores da atividade industrial de junho. Ele ressaltou que a crise internacional acaba até favorecendo a queda de alguns preços, principalmente das commodities.

O uso da capacidade instalada na indústria brasileira diminuiu em junho e outros indicadores do setor mostraram fraqueza, sugerindo, segundo a CNI, uma perda de dinanismo. O economista da entidade disse que o Brasil “tem espaço grande para reduzir juros”, mas “talvez seja um pouco precipitado dizer que o Banco Central vai cortar juros”. O nível de uso da capacidade, acompanhado por analistas como sinalizador de possíveis pressões inflacionárias, foi de 82,3 por cento em junho, ante 82,5 por cento em maio, em dados com ajuste sazonal. Em junho do ano passado, o nível era de 82,8 por cento.

“A economia vem perdendo força, dinamismo ao longo deste semestre”, disse Castelo Branco. Ele reiterou que o pacote de incentivo à indústria, anunciado na semana passada pelo governo, “demonstrou com mais clareza essa preocupação com o desempenho do setor industrial e com a construção de uma política para elevação da competitividade”. As horas trabalhadas na indústria tiveram queda de 0,7 por cento em junho ante maio e subiram 1,7 por cento sobre igual mês de 2010. O emprego ficou estável mês a mês e subiu 2,5 por cento ano a ano. O faturamento real da indústria cresceu 0,7 por cento em junho sobre maio e 5,9 por cento contra igual mês do ano passado. No primeiro semestre, o faturamento acumulou alta de 5,8 por cento, as horas trabalhadas cresceram 2,7 por cento e o emprego aumentou 3,4 por cento.

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