Com o tema ‘O Papel do Comunicador no Caso de Santa Maria’, a Ulbra Canoas realizou nesta quarta-feira, 20, a aula inaugural de seus cursos de Comunicação Social. O evento contou com a participação da fotojornalista Adriana Franciosi; o editor-chefe de Zero Hora, Nilson Vargas; a repórter da Ulbra TV Eliza Maliszewski; e o coordenador de comunicação social da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Antônio Candido; e teve mediação do gerente da Rádio Pop Rock, Mauro Borba. Na palestra, os convidados falaram sobre o trabalho jornalístico no incêndio que vitimou mais de 240 pessoas e o impacto da tragédia em suas vidas.
Nilson relatou a experiência de ser um dos primeiros a chegar ao local do incêndio. “Estava em Santa Maria visitando minha família e fui acordado de madrugada por uma colega da ZH que estava de plantão em Porto Alegre. Fui até a boate, que fica próximo de onde eu estava verificar a situação e a partir de então parece que ainda não saí de lá”, contou. Com 20 anos de profissão e experiência na cobertura de acontecimentos trágicos, Adriana falou sobre como a tragédia a abalou. “Passei quatros dias praticamente sem dormir, tamanho o foi volume de trabalho. Além das entrevistas coletivas com autoridades, tive cobrir velórios, enterros e depois ainda acompanhar de perto a dor das famílias envolvidas. Impossível não se envolver emocionalmente. Após um dia de trabalho, mesmo cansada não tinha sono”.
Além do fator emocional, Eliza destacou o desafio de ter fôlego para a reportagem em meio ao que viu em Santa Maria. “Chegamos lá apenas no domingo à noite. Na minha equipe, ninguém conhecia a cidade. Felizmente, no caminho encontramos um voluntário que nos ajudou muito. Vi jornalistas de todo o Brasil e, de um modo geral, a imprensa se auxiliava. Tive que acompanhar velório coletivo, enterros e entrevistas. Foi muita correria, pois tive que fazer de tudo”, lembrou.
Antônio Cândido relatou que, naquele momento, tinha como objetivo principal mostrar da forma mais clara possível a ação do Estado no episódio. “Desde o princípio, nossa tarefa foi informar as ações oficiais, para que a população e a opinião pública pudessem tomar conhecimento da mobilização que existia. Informamos que houve a mobilização de bombeiros, Instituto Geral de Perícias, Polícia Civil, etc. Após, organizamos as informações e o contato com a imprensa. Repassamos os materiais informativos para todos, sem privilegiar ninguém”, relatou.



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