Notícias

Com criação da Moove, campanha alerta para as crianças órfãs do feminicídio

Ação do comitê ElesPorElas ressalta que os impactos da violência de gênero se estendem, também, aos familiares das vítimas

A violência é percebida por meio do vazio deixado por quem não está mais ali, tornando a dor ainda mais evidente. - Crédito: Divulgação.

A violência contra a mulher não termina quando uma vida é interrompida. É a partir dessa reflexão que nasce a nova campanha criada pela agência Moove para o Comitê Gaúcho Impulsor do Movimento ElesPorElas, o HeForShe, movimento global de solidariedade criado pela ONU Mulheres. Inspirada em uma das consequências mais silenciosas do feminicídio, os órfãos da violência de gênero, a iniciativa desloca o olhar da vítima para aqueles que permanecem convivendo diariamente com sua ausência. 

Com o conceito ‘A violência contra a mulher não termina na vítima’, o time criativo buscou inspiração na investigação jornalística da reportagem da jornalista Fabiana Reinholz, ‘Crianças órfãs de feminicídio: traumas, perdas e luta por direitos’, vencedora do ‘Prêmio ARI de Jornalismo’ em 2025.

Utilizando uma linguagem visual sensível e impactante em preto e branco, crianças aparecem sozinhas enquanto sombras projetadas nas paredes revelam lembranças da presença materna, transformando a ausência em um elemento visual. A violência não é mostrada diretamente. Ela é percebida por meio do vazio deixado por quem não está mais ali, tornando a dor ainda mais evidente. Além disso, vários veículos e plataformas de mídia já aderiram à campanha, doando espaços em jornais, sites, blogs, mídias Out of Home (OOH) e rádios. 

Contexto

O cenário atual torna essa discussão ainda mais urgente. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 80 casos de feminicídio, o maior número dos últimos anos. No primeiro semestre de 2026, de acordo com dados da Polícia Civil, esse total aponta para uma alta preocupante com o registro de 40 feminicídios, reforçando a necessidade de ampliar o debate sobre a violência contra a mulher.

São crianças e adolescentes que perderam as mães para o feminicídio e, muitas vezes, também o pai, preso pelo crime. Essa realidade que transforma o feminicídio em um problema que ultrapassa o momento do assassinato e se prolonga por toda uma geração.

O head de criação da Moove, Cado Bottega, explica a estratégia da campanha. “Optamos por não representar a violência em si. Ela já é conhecida. O que precisava ganhar visibilidade era o vazio que ela produz. Quando a sombra de uma mãe ocupa o lugar onde ela deveria estar, entendemos que o feminicídio não termina na vítima. Ele continua na vida de quem ficou”, afirma. 

Conforme o coordenador do Comitê Gaúcho Eles por Elas, Thedy Correa, a campanha busca mostrar a exata dimensão da tragédia que o feminicídio causa nas famílias, em especial, nas crianças. “As marcas são profundas e atravessam para sempre a vida das crianças”, analisa.

Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.