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Compra de leite em pó é alvo de reivindicação de entidades

Redução dos estoques na indústria gaúcha é considerada fundamental para superar a crise na cadeia produtiva      

Para enfrentar a crise do leite, a Famurs e o Instituto Gaúcho do Leite (IGL) definiram duas medidas tratadas como emergenciais. A primeira, de médio prazo, é buscar novos mercados no exterior para a produção local. A segunda, de curto prazo, é a compra imediata de leite em pó para reduzir os estoques no Estado. Considerada estratégica e urgente, a aquisição de 4 mil toneladas de leite em pó das indústrias do Rio Grande do Sul foi solicitada ao Ministério do Desenvolvimento Social.

O objetivo é praticamente zerar os estoques que impedem a compra de leite dos produtores gaúchos. As entidades sugerem que o leite em pó adquirido pelo governo seja doado para merenda escolar, programas sociais e pacientes de hospitais públicos de 497 municípios do Estado. “Esta medida, por si só, pode amenizar a crise”, afirma o presidente da Famurs e prefeito de Tapejara, Seger Menegaz.

A conquista de novos mercados, especialmente a Rússia, surge como alternativa para combater o excesso de produção, que hoje alcança 11 milhões de litros de leite por dia no Rio Grande do Sul, ante um consumo de aproximadamente 4 milhões de litros. Os outros 7 milhões de litros são comercializados para o centro do país, que tem comprado menos leite gaúcho desde que foram divulgadas fraudes na Operação Leite Compensado. “Infelizmente, perdemos mercado, mesmo sabendo que o leite gaúcho é o mais fiscalizado do país, 99,5% da nossa produção é de excelente qualidade”, observa Menegaz. A Rússia tem potencial para importar até 30 mil toneladas de leite em pó do RS.

As duas ações tomadas nesta terça-feira pela Famurs e pelo IGL visam combater a crise vivida pela cadeia leiteira gaúcha. Em 90 dias, o preço do litro de leite pago ao produtor caiu cerca de 30% (de R$ 1,10 o litro para R$ 0,78/l), segundo o diretor-executivo do IGL, Ardêmio Heineck. “Tem produtores desistindo da atividade e muitos estão jogando leite fora”, alerta o dirigente. Segundo ele, 134 mil famílias estão envolvidas diariamente com a produção de leite no Estado.

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