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Comunic’amores’: Fábio Bernardi e Lara Piccoli revelam como é dividir a intimidade e o comando da HOC

Juntos há 15 anos, eles estão entre os casais da Comunicação que compartilham sua história neste especial de Dia dos Namorados

“Literalmente, um bom casamento entre Planejamento e Criação”: é assim que Lara Piccoli define sua relação com Fábio Bernardi, com quem divide a vida pessoal e profissional. Reconhecidos no mercado gaúcho, os publicitários estão entre os casais convidados para compartilhar as vivências de relacionamentos entre comunicadores, neste especial de Dia dos Namorados do Coletiva.net, celebrado neste sábado, 12.

Debutar ou bodas de cristal podem caracterizar a relação, que celebra 15 anos. Neste período, a convivência inicial dos pais do Santiago, de dois anos, foi como colegas de trabalho, visto que se conheceram enquanto atuavam na agência Paim. A partir dali, veio o namoro, o casamento e nasceu, há nove anos, a antiga Morya Porto Alegre, que hoje é HOC – House of Creativity, agência criada e gerida pelo casal.

 

Confira a entrevista de Coletiva.net com Fábio Bernardi e Lara Piccoli:

Como é trabalhar ao lado de quem se ama? A intimidade ajuda ou atrapalha?

Lara: Eu, particularmente, acho que ajuda. Nem sempre é fácil, mas eu acredito que compartilhar ideais, valores, cargas de trabalho, reuniões, opiniões, universos comuns é muito bacana. Tive um relacionamento anterior que não entendia o mundo da comunicação e suas dinâmicas e confesso que eu achava bem ruim. 

Acho que conhecer o outro também ajuda a lidar com os pontos fortes e fracos, atalha assuntos que passam a ser tratados de forma bem franca e sem rodeios e deixa o trabalho com cara de ‘vida em família’.

Fábio: Eu acho muito bom, na verdade. Pela natureza da nossa profissão, tudo se mistura de um jeito muito gostoso. Uma viagem é lazer e sempre trabalho, uma visita numa loja é compra e referência ao mesmo tempo, um filme é discussão sobre a história mas também sobre roteiro e fotografia. A gente vive as referências juntos. Claro que não é só mar de rosas. Mas a intimidade, na maior parte das vezes, ajuda, encurta caminhos, acelera decisões. E na HOC, desde sempre, talvez pela nossa própria situação de sócios casados, sempre deixamos claro que a prioridade da agência seria construir um time humano, solidário e que soubesse valorizar as pessoas antes das coisas. E eu acho que a intimidade também ajuda a construir esta relação de parceria entre todos. 

 

Tem como separar a vida profissional da pessoal de vocês? 

Lara: Não tem. Embola tudo. O máximo que conseguimos é um “não vamos falar de trabalho agora”…e, se rolou alguma indisposição em casa, ela vem junto pro trabalho no dia seguinte. Então não adianta brigar mesmo, tem que resolver as coisas porque não tem pra onde fugir (risos). Claro que os pontos de atrito podem aumentar, pois a convivência é intensa, mas nos conhecemos assim, então estamos acostumados com essa realidade. Estranho seria diferente. Não trabalharmos juntos, eu acho. 

Fábio: É impossível separar, é tudo junto. Mas eu nunca separei, na verdade, sou daquelas pessoas que não consegue isolar casa do trabalho, acho que a vida é uma só e se define pelo conjunto. E essa junção das coisas, no nosso caso, também ajuda a deixar as coisas mais vivas e mais intensas, o que também nos deixa mais vivos e intensos nas coisas. Agora, com filho pequeno, isso se manifesta ainda mais, porque somos pais e temos a mesma rotina, então o impacto do pessoal no profissional aumenta. E, de novo, isso se materializa de forma tranquila na HOC, porque também deixamos o pessoal da nossa equipe ficar em primeiro plano. Se alguém tem alguma dificuldade em casa, mesmo um cachorro que adoeceu, o resto de nós se junta para suprir uma eventual ausência ou cumprir a pauta. Não separamos para ninguém o pessoal do profissional. 

 

Como não deixar afetar as discussões profissionais no relacionamento? 

Lara: Eu acho que casais que não tenham uma mesma visão de mundo, provavelmente terão dificuldades. E não digo personalidades parecidas, pois eu e o Fábio somos muito diferentes. Mas falo de valores, de uma parecência de visões que minimiza as divergências. Mas, claro que temos opiniões diferentes e penso que numa hora dessas temos que agir como fazemos com o próprio time que trabalha conosco e muitos são nossos amigos pessoais: a gente discute, no bom sentido, e ‘briga’ com as ideias, com os processos, com os assuntos, e não com as pessoas. O maior desafio que vejo não está na divergência de opiniões profissionalmente falando, pois isso é um exercício diário, existe com colegas de trabalho igual, mas, sim, no excesso de contato. Ou melhor, o excesso de um mesmo assunto, o que faz parecer que o mundo gira em torno do trabalho às vezes. Aí o segredo é arejar, colocar o trabalho no ‘mute’ e dar play no esporte, nas séries, nos livros, na maternidade e paternidade, no hobby e em qualquer coisa mais que enriqueça a vida familiar e te tire do mesmo assunto de tanto tempo.  

Fábio: Acho que a ordem dos fatores altera o produto, neste caso. Imagino que seja mais difícil para quem é um casal que passa a trabalhar junto, mas, no nosso caso, trabalhamos juntos e passamos a ser um casal. Ou seja: nos conhecemos trabalhando juntos – e não é só na mesma empresa, mas no mesmo job. E depois dele veio outro. E, pela simbiose profissional, fomos crescendo um apoiado no outro. Quando nos conhecemos éramos um redator e uma planner, viramos diretores, vice-presidentes, abrimos nosso negócio, viramos sócios minoritários e hoje somos majoritários numa empresa que tem um Grupo ABC como sócio. Então, neste processo todo, naturalmente surgiram muitas discussões profissionais que, de uma forma ou de outra, afetaram o relacionamento. Mas sempre mantivemos a consciência da trajetória, com a serenidade de perceber o que eram dedos e o que eram anéis, sabendo preservar a essência e a leveza dos dois relacionamentos, o pessoal e o profissional. Não é fácil, mas, no fundo, tem uma simplicidade: não tem nada melhor do que amar o que se faz e amar com quem se faz.

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