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Comunic’amores’: Fernando Puhlmann e Giovanna Alvarenga compartilham sociedade no amor e nos negócios

Namorados há 13 anos, os profissionais também gerenciam a mesma empresa: a Cuentos y Circo

Neste sábado,12, celebra-se a data mais romântica do ano: o Dia dos Namorados. Para marcar o período, a equipe do Coletiva.net conversou com casais que compartilham não só o relacionamento, mas também a vida profissional. Como Fernando Puhlmann e Giovanna Alvarenga, sócios da Cuentos y Circo.

Se a história profissional começou há cerca de 10 anos, a do relacionamento possui três a mais. Isso porque ela não se iniciou no primeiro encontro deles, em 1998, em Alegrete, quando Gi foi uma das integrantes do grupo de excursão, liderada pela empresa de turismo da família do Fê, para o Planeta Atlântida. Para o Fernando, foi amor à primeira vista. 

Para a Giovanna não. Ela, com 14 anos, não olhava para aquele homem que tinha 10 anos a mais que ela. No entanto, uma década depois, o destino juntou eles mais uma vez. Desta vez, em Santa Maria, quando ela trabalhava no Comercial da Rede Atlântida e ele organizava o Circuito de Rodeio Universitário apoiado pela rádio. Após o evento, eles combinaram de se encontrar e o relacionamento começou. Um ano depois, a Gi já se mudava para Porto Alegre com o objetivo de morar com o Fernando, onde vivem juntos até hoje. 

Como é trabalhar ao lado de quem se ama? A intimidade ajuda ou atrapalha? 

Fernando: Trabalhar ao lado de quem se ama é um desafio em vários aspectos. Tu tens a questão da intimidade. E ela complica em alguns momentos porque tu acabas extrapolando em algumas posições, no que tu podes dizer ou não, e a outra pessoa também  acaba entendo de forma contrária ou diferente do que tu querias falar. Mas, ao mesmo tempo, é muito legal, muito bacana, pois tu estás no dia a dia, construindo uma história, sonhos, dividindo as glórias e os fracassos, as tristezas e as alegrias. Não só na vida particular , mas também na profissional. Cada conquista é muito bacana. 

E trabalhar com a Gi é muito legal! A Gi é minha maior referência dentro do que a gente faz. A Gi é uma pessoa que eu respeito muito profissionalmente. Ela é muito competente no que faz, é extremamente dedicada, focada. Tudo isso é muito legal! Eu aprendi muito com ela, em vários sentidos e setores da minha vida profissional. Eu aprendi a parte técnica do YouTube, a ter foco, a me dedicar mais a certas ações. Ao mesmo tempo eu aprendi a ser menos ansioso em outras. Trabalhar com a Gi é um grande aprendizado. Para mim, as vantagens superam longe as desvantagens. 

Giovanna: No nosso caso, a intimidade mais ajuda do que atrapalha. Claro que ter intimidade é complicado em uma briga, discussão. Porque é diferente de um sócio que tu encontra o sócio em momentos de trabalho e cada um vai para a sua casa. No caso de sócios que ainda têm uma relação afetiva, amorosa, a gente acaba trazendo para casa 24 horas. A gente acaba perdendo um pouco na referência nas discussões. Mas, no nosso caso,a intimidade mais ajuda. Por exemplo na questão de produção. Na nossa área de audiovisual e digital não tem muito a questão de horários. Eu e o Fernando em set de gravação à meia noite. Para nós, é uma das situações que a gente sempre comenta. Quando a gente vai viajar, vai para externa, a gente acaba entendendo a rotina do outro, porque vivemos a mesma rotina. A mesma área, o mesmo trabalho. As mesmas dificuldades, sejam elas financeiras, sejam de projeto. Então a gente tem as mesmas questões. Claro que cada um lida de um jeito, pessoas diferentes. Na maioria dos pontos a gente tem a mesma opinião, o mesmo foco, se não estaríamos juntos tanto tempo, em alguns momentos a gente discorda. Porém, como qualquer sociedade, temos que achar um ponto comum para poder, aí sim ir para o mercado. A intimidade tem suas vantagens e desvantagens, mas, no nosso caso, é muito mais vantagens do que desvantagens.

Tem como separar a vida profissional da pessoal de vocês? 

Fernando: Não tem como separar. É muito difícil. Eu e a Gi somos muito intensos. Quando a gente tem um desentendimento profissional respinga no nosso relacionamento. Quando a gente tem algum desacerto na parte pessoal, isso também respinga no profissional. Mas, óbvio, sem comprometer o trabalho que estamos fazendo. Eu não acredito que um casal consiga separar isso. Eu acho que a gente amadureceu. A vida te ensina, então eu acho que hoje respinga menos do que antes. Hoje a gente consegue ter uma maturidade, não só de sentimentos, mas uma inteligência emocional também maior que nos permite bloquear algumas situações para não deixar afetar de forma tão grande como já afetou em alguns momentos. Mas 100% não tem como. Ainda mais a gente que trabalha dentro de casa. Nós já trabalhamos home office há muito anos, antes da pandemia, há dois ou três anos. Não tem como tu simplesmente sair do quarto e vir para a sala como se nada tivesse acontecido.

Porém, a gente tem uma característica, a gente é muito “sanguíneo”. A gente tem alguns embates muito fortes, mas a gente consegue também perdoar de forma muito rápida. Eu não lembro de uma briga que a gente tenha tido que a gente tenha ficado mais de um dia para o outro sem se falar. Esses casais que a gente vê que ficam 3 ou 4 dias emburrados,  a gente não consegue. Quando a situação passa, não ficam resquícios, nem insinuações.  A gente consegue avançar. Então faz parte. São o ônus e o bônus tu seres sócios em todos os setores da tua vida. 

Giovanna: Não tem como. Eu já tenho uma opinião, mesmo não trabalhando junto é muito difícil para uma pessoa definir: agora eu sou comercial depois eu sou pessoal. Hoje em dia, com nosso estilo de vida, com o digital, com todo esse movimento novo de comportamento, eu defendo  que o ser humano é único com vários fragmentos. É um quebra-cabeça e o profissional é uma das partes e o pessoal é outra. Então, naturalmente, já não tem como dividir. 

A gente trabalhando junto, pior ainda. É muito difícil separar o pessoal do profissional. O nosso desafio é aprender a lidar com essas situações. Ainda hoje em época de pandemia, trabalhando em home office, mais intenso fica. É um aprendizado diário e constante. Eu e o Fê já amadurecemos muito. A gente faz o exercício diário de separar algumas atividades, algumas discussões, do que é  casa do que são nossas filhas felinas. A questão do trabalho a gente faz um policiamento constante com a gente. Nas discussões, a gente sempre procura também dividir se é algo pessoal ou se é profissional, a gente não pode extrapolar. Se eu começo a  extrapolar ou ele, trazendo pontos do pessoal para o profissional, o outro já sente e já para a discussão. Isso é amadurecimento.

Até o terceiro, quarto ano, foi muito mais pesado do que é hoje. A gente amadureceu como indivíduos, ficando mais velho, experiências, outras vivências. Também no nosso relacionamento amoroso, com mais conquistas, mais carinho. E na nossa relação corporativa também. Tanto ele quanto eu. A gente consegue hoje parar quando tem que parar. E eu confesso que não me imagino tendo outro sócio que não seja o Fernando, que não seja o meu marido.  Por essa relação que a gente construiu, pela rotina que a gente construiu. Parte muito do amadurecimento e estar sempre se policiando para ter uma qualidade de vida e uma qualidade no serviço que a gente entrega. Porque a gente tem um discurso muito afinado. Por mais que  a gente tenha debates, discussões, quando a gente leva isso para o mercado, para uma reunião, nós estamos alinhadíssimos. Nunca aconteceu de ter uma discussão na frente de um cliente. Nosso discurso é muito alinhado. Por mais que depois, a gente converse depois que podia ter apresentado um ou outro ponto, o que  a gente mostra é muito profissional. Sempre teve esse cuidado.

 

Como não deixar afetar as discussões profissionais no relacionamento?

Fernando: Eu acho que não tem como não deixar afetar. Tu tens mesmo é que aprender o que realmente é importante na vida, o que é realmente fundamental. O que realmente tu não pode perder. Porque quando tu consegues ter essa percepção, tu consegues entender que algumas situações são simplesmente vaidade. Alguns posicionamentos, de não aceito, não quero, são simplesmente vaidade ou orgulho bobo que são muito menos importantes do que o sentimento, do que a felicidade. Então tu acabas passando por cima. E isso acho que a gente faz bem, administra muito bem. 

Eu não tenho a mínima dúvida de que a Giovanna é a mulher da minha vida. Não tenho dúvida do sentimento dela por mim. A gente é muito seguro nesse sentido. Então acho que a gente é muito parceiro. A gente não tem grandes mágoas – pelo menos eu não tenho e se ela tem ela não deixa transparecer. Então tudo flui bem entre nós. Tanto na questão do sentimento, amorosa, quanto na profissional. A gente é muito complementar. Em vários pontos a gente briga, discute, mas na maioria, somos complementares. Acreditamos em ações muito parecidas, temos regras para a vida muito parecidas. A gente vem de duas famílias que deram uma educação muito parecida e acho isso bem importante. Nossos valores são muito parecidos. E isso acaba norteando uma vida de respeito. Quando a pessoa tem os mesmo valores que tu, tu acabas respeitando melhor ela, entendendo certas reações, porque seriam as tuas. Tu acabas admirando. E a gente tem uma relação de admiração entre os dois que é muito grande.Eu não acredito em relacionamento amoroso sem admiração. Admiração e respeito são a base de qualquer relacionamento. Quando a gente fala de relacionamento amoroso, muito mais. 

Giovanna: É tudo muito orgânico. A gente não pensa muito nessa questão de não afetar o relacionamento, Mas de fato, se a gente está nesse momento de 13 anos é porque não está interferindo. Eu acredito que seja muito em função da minha personalidade e do Fê. Nós somos pessoas que não carregam o rancor de uma discussão, seja ela afetiva seja da relação profissional. A gente tem a discussão, tem o pós que fica aquela tensão no ar, mesmo estando na mesma casa, no mesmo ambiente físico, cada um respeita o seu tempo e a privacidade. Mas tão logo esfria, a gente já volta a nossa vida normal: da casa e da empresa. A gente não se estende no período pós discussão. E isso é muito da nossa personalidade. Porque muitas pessoas guardam rancor, ficam toda hora falando um para o outro, jogando na cara. A gente não tem este comportamento. Isso é algo positivo para a gente tocar a vida profissional junto com a relação. Mas a gente nunca parou para pensar isso. Eu pelo menos nunca parei para pensar, estou pensando agora para te responder (risos). 

A gente consegue administrar, dentro do contexto, estas situações e volta tudo ao normal. O que eu acho dessa nossa relação eu e o Fê. A gente construiu em cima de três pilares que é o respeito um pelo outro – isso em qualquer relação humana é importante; admiração um pelo outro – eu admiro ele, ele me admira; e a terceira é o amor. O amor em todos os sentidos, tem a empatia, a compreensão, a afetividade. A palavra amor com todos os sentidos e significados que ela tem. Então, a nossa relação, profissional ou pessoal, se sustenta nesses três pilares. Paralela a essas bases, tem o amadurecimento e o crescimento, entendimento. Outra questão que eu acho muito importante, é o nosso perfil, nossas aspirações, nossos sonhos. Por mais que eles não sejam exatamente os mesmos, a gente tem o mesmo foco. Por exemplo, nós dois queremos ter uma experiência no exterior. A gente tem nossos valores. As nossas famílias nos deram uma educação muito similar. O estilo de vida é praticamente o mesmo. Nossos posicionamentos como cidadão, como indivíduo, político, em relação às amizades, são praticamente o mesmo. E isso também é importante. A gente tem uma sinergia em todos os parâmetros em todas as nossas relações. 

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