Notícias

Conferência debate a Imprensa e a Violência e o Direito à Informação

Foram os útlimos painéis do evento realizado em Gramado

 

A Conferência Latino-Americana de Direito à Liberdade de Imprensa e à Publicidade, realizada em Gramado, fechou agora no final da tarde com dois debates: ‘A Imprensa, a Violência e a Responsabilidade Social’, com Afonso Motta, vice-presidente da Agert, e ‘O Direito à Informação na Democracia’, com o jornalista e escritor Flávio Tavares. Ercy Torma, presidente da ARI, foi o moderador.

Motta apresentou um trabalho interno desenvolvido na RBS, da qual é vice-presidente de TV e Rural. A visão do grupo é de que “dar espaço a criminosos é estimular o crime”. O executivo acredita que os meios de comunicação podem contribuir para evitar a violência e que para isso devem agir com responsabilidade. A RBS desenvolveu um debate entre seus profissionais e chegou a algumas reflexões, segundo Motta.. Entendeu-se que é necessário valorizar sempre a ação dos policiais e não a dos bandidos, citar números positivos em relação à segurança e não apenas índices de criminalidade, nunca descrever o modus-operanti dos crimes nem celebrizar criminosos, entre outras iniciativas. Ao final, foi apresentado um vídeo no qual a RBS afirma que a emissora não entrevista criminosos nem cita nomes de facções criminosas.

Flávio Tavares declarou que seu painel e o de Motta tinham muito em comum: ambos se referiam ao que os meios de comunicação têm o direito e o dever de fazer e o que eles não podem fazer. Para o jornalista, “o direito à informação e à publicidade é inerente à democracia”, e afirmou que não se ateria a repetir obviedades. Tavares preferiu confluir os dois assuntos: “O tema do momento é até onde a divulgação da violência deturpa o direito à informação”. Ele acredita que a violência não esteja presente apenas na mídia, mas em toda a sociedade. “A linguagem chula que empregamos, a música que ouvimos, as igrejas pentecostais que se utilizam do terror contra os seus fiéis e a publicidade que utiliza a figura da mulher como objeto são formas de violência”, disse. Tavares colocou que essas formas são até mais perigosas que a criminalidade, pois estão incluídas de maneira quase invisível no nosso dia-a-dia.

Ele lembrou que a imprensa sensacionalista incita a violência mesmo quando não dá espaço aos bandidos, mas prioriza a cobertura da segurança. Também pediu que as agências de comunicação tenham mais atenção com as normas de seu conselho de auto-regulamentação, pois tem sido criada muita publicidade que vai de encontro aos valores da sociedade e é até vulgar. “A vulgaridade é o caminho inconsciente que nos leva ao delito”, disse ao encerrar.

Antes, do painel ‘A Liberdade de Informação e a Ampliação do Mercado de Trabalho’, participaram dos debates os juristas Gelson Azevedo, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, e Flávio Sirângelo, coordenador da Comissão de Comunicação Social do TRT, e Eugênio Esber, diretor da revista Amanhã. O tema prioritário foram as relações de trabalho no mercado atual. Falou-se da rotina profissional de publicitários e juristas, que, em geral, excedem oito horas diárias de trabalho. Esber defendeu que patrões e empregados não devem bater tanto de frente e negociar mais entre si.

Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.