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Conheça os bastidores da campanha do Observatório da Discriminação Racial no Futebol

Ação foi realizada em um confronto válido pelo Campeonato Brasileiro 2019

Uma ação realizada pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol, empresa gaúcha coordenada pelo também gaúcho Marcelo Carvalho, ocorreu no sábado, 13 de outubro, mas ainda repercute no futebol, no jornalismo e na sociedade. Um confronto válido pelo Campeonato Brasileiro de futebol chamou a atenção: Fluminense x Bahia. Na oportunidade, era o duelo entre os dois únicos técnicos negros da Série A do torneio, Roger Machado e Marco Aurélio de Oliveira, o Marcão.

Na campanha, ambos os treinadores, neste dia, atuaram com as camisas do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Em exclusiva ao Coletiva.net, Marcelo contou que  a ideia surgiu na semana anterior à partida, após alguns jornalistas entrarem em contato com a empresa a fim de buscarem informações sobre a quantidade de técnicos negros na primeira e segunda divisão do campeonato nacional.

Contudo, contou ele, o que lhe chamou a atenção foi o fato de ter lido algumas matérias nas quais os técnicos expressamente se posicionavam contra o racismo no futebol e na sociedade. “A partir deste momento, surgiu a ideia de convidar para que esta luta fosse além das palavras. Primeiro, de forma oficial contatei os clubes, que, então, conversaram com os técnicos. Todos aceitaram e ação ocorreu desta forma que o mundo todo pôde observar”, lembrou.

Na conversa com o portal, o diretor-executivo chamou a atenção para o racismo estrutural e institucional que ocorre em todas as áreas e camadas da sociedade. Conforme relatou, no futebol, os negros estão apenas dentro das quatro linhas, no ‘chão de fábrica’, como pontuou. “Não é só treinadores que não vemos. Conselheiros, diretores, presidentes a gente também não vê. E o jornalismo esportivo retrata igual a presença de negros nas bancadas dos programas, ou seja, ela é bem pequena”, ressaltou.

Segundo ele, existe essa parte do racismo estrutural, somada à falta de conhecimento, credibilidade e capacidade que alguns acham que os negros têm. Apontou ainda que, de modo geral, os jogadores negros não são unidos, pois “quando acontece um incidente com algum deles, os outros jogadores, que estão na mesma partida, pouco fazem”, seja por medo de possíveis represálias, ou portas que venham a ser fechadas por conta da manifestação.

Após o jogo em questão, o técnico Roger Machado, ao conceder sua entrevista coletiva, salientou: “Com relação à campanha, não deveria chamar a atenção, ter repercussão grande dois treinadores negros na área técnica, depois de serem protagonistas dentro do campo. Essa é a prova que existe o preconceito, porque é algo que chama atenção”. Sobre as palavras do técnico, Marcelo relatou ser de extrema importância, pois elas conseguiram dar mais repercussão ainda à ação. Na sua visão, mostrou também para os outros atletas e treinadores negros que é possível falar estando empregado ou não e, ainda assim, ter apoio. A fala do dele encorajará muitas outras pessoas a fazerem o mesmo”, disse.

A iniciativa tomou proporções internacionais ao ser publicada no tabloide inglês ‘The Guardian’, na última semana. Sobre o feito, o idealizador garantiu ficar muito feliz com a visibilidade, mas mais empolgado ainda com a chance de outros atletas ou demais profissionais ligados ao mundo do futebol se sentirem amparados e encorajados a tratar do assunto. “Um dos maiores motivos para que isso ainda não aconteça com força é o silenciamento de negros.”

Em cinco levantamentos realizados pela organização, o Rio Grande do Sul apareceu como o estado que mais incidentes de racismo acontecem. Em outras duas oportunidades, o ‘vencedor’ foi o estado de São Paulo.

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