O Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini, que engloba TVE e FM Cultura, encaminhou à direção-geral na última segunda-feira, 9, um parecer sobre supostos atos de censura praticados dentro da emissora de TV. Uma notificação sobre o caso também foi enviada à Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. Segundo o presidente do Conselho, Ercy Torma, conselheiros apuraram o fato e ouviram as pessoas envolvidas na denúncia. “Houve uma revolta interna, o Conselho investigou e encaminhou o parecer para a direção, de quem aguardamos um posicionamento. Caberá a cada órgão tomar as providências que julgarem necessárias”, disse ele.
A denúncia envolve a não-veiculação, no mês de abril, de uma matéria sobre uma audiência pública na Assembléia Legislativa que tratou do sucateamento da TVE. Os integrantes do Conselho entenderam que não houve orientação institucional, e sim uma atitude isolada dentro da redação. “A profissional agiu por conta própria ao fazer com que o material desaparecesse”, informa James Görgen, vice-presidente do órgão.
Pelo parecer, foi decisão de uma profissional o ato de ocultar a fita para que não fosse utilizada pelo jornal TVE em Dia. “(…) Foi destacada uma equipe de reportagem para fazer a cobertura da referida audiência pública (…) e a editora-chefe do jornal da noite, Denise Camargo, diagnosticou ‘problemas’, tendo sugerido à chefe de reportagem e sua superior hierárquica, Márcia Escobar, que não veiculasse a matéria, recebendo, porém, ordem para veiculá-la”, diz o parecer.
Quanto à denúncia de cortes efetuados em reportagem que tratava do zoneamento ambiental no Estado, o Conselho avaliou ter havido interferência da presidência da TVE. “A chefe de reportagem, Márcia Escobar, recebeu recomendação do coordenador de produção, Luiz Carlos Mazoni, para que fosse feita uma ‘edição cuidadosa’, pois o presidente Airton Nedel havia recebido ligação do secretário do Meio Ambiente reclamando do comportamento da repórter”. O parecer considera que, conforme o conceito do direito constitucional, não houve censura, mas critica o estímulo à autocensura e sugere à diretoria executiva que estimule a produção de “um jornalismo plural, independente e com autonomia diante do governo estadual”.

