Os meios impressos estão reagindo de maneira quase anedótica em relação ao novo cenário da comunicação, e é provável que as organizações nacionais de mídia impressa não sejam capazes de sobreviver neste novo negócio. A opinião é de Juan Antonio Giner, sócio da consultoria Innovation International Media, em entrevista ao jornal Meio&Mensagem. Ele disse que os jornais praticam hoje um modelo de negócios em decadência, que tem se mostrado incapaz de evoluir. “Assim como os fabricantes de carruagens não produziram automóveis, não será a mídia tradicional, em especial a impressa, que vai dominar a comunicação do futuro”, acredita ele.
Segundo Giner, jamais uma empresa como Google ou Yahoo compraria um grande jornal, “pois suas instalações e rotativas não servem de nada para ela”. Além disso, acrescenta o consultor, “os jornalistas formam um corpo profissional incapaz de trabalhar neste novo ambiente. As redações dos jornais atuam de maneira muito tradicional. São burocratizadas, mal aproveitadas e, portanto, não representam um ativo interessante para essas novas companhias”.
Giner entende também que os jornais estão passando por uma transição em que os velhos diários e companhias vão morrer, “mas isso não quer dizer que será o fim do jornal”. Cita inclusive o caso dos jornais gratuitos: não foram as empresas tradicionais que os criaram. “Agora elas se sentem ameaçadas por essas publicações, quando tinham toda experiência, conhecimento e capacidade para dominar o mercado”. De qualquer forma, o consultor entende que esta é a idade de ouro do jornalismo e da comunicação. “É o fim das velhas empresas, das velhas redações e dos velhos profissionais, mas é uma época de dinamismo e criatividade poderosíssimos. O essencial do jornalismo, que é a capacidade de filtrar a informação, será mais necessário do que nunca, só que dentro de uma plataforma multimídia”.

