A abertura oficial do 29º SET Universitário, promovido pela Famecos, reuniu, aproximadamente, 200 pessoas, entre estudantes e professores, no Centro de Eventos da PUC, nesta segunda-feira, 26. Na palestra “Que mundo é esse?”, os diretores da Globo e do #Base1, Rodrigo Cebrian e André Fran, falaram a respeito das experiências que tiveram em diversas viagens, como para a África e para o Oriente Médio, o que lhes possibilitou avaliar que as mudanças no mundo estão acontecendo o tempo todo, ainda que lentamente. Também salientaram os contrastes financeiros e de segurança que existem dentro de um mesmo país, como puderam presenciar nos Estados Unidos e no Iraque.
Antecedido pela exibição do vídeo comemorativo aos 50 anos da Famecos, o diretor João Guilherme Barone abriu a primeira noite salientando que este encontro permite que estudantes de diversas universidades experimentem e vivenciem a Comunicação de formas diferentes. “Este é um evento que traduz e expressa a alma, o espírito e o DNA da Famecos”, exaltou. Em seguida, o coordenador do curso de Jornalismo da faculdade, Fábian Chelkanoff Thier, chamou os painelistas ao palco.
Na sequência, André Fran abriu o painel “Que mundo é esse?”, inspirado no programa homônimo, que é transmitido pela GloboNews, explicando que o projeto é uma mistura de Jornalismo com reality show, e que nasceu da necessidade de contar histórias a partir da perspectiva e do contexto social dos personagens. Nessa linha, Fran avaliou que a atração tem uma função social muito importante, e aconselhou que os profissionais direcionem suas paixões para fazer a diferença. “Todas as pessoas deveriam acreditar nisso e fazer do mundo um lugar melhor e, justamente por isso, que o nome do nosso programa é uma interrogação”, explicou, ressaltando que o questionamento é um jeito de não ser acomodado e indiferente com os problemas globais.
A proposta, acrescentou Cebrian, de ir aos lugares e procurar pelas histórias que a mídia convencional não dá espaço é uma maneira de entender as paixões que, muitas vezes, são incompreensíveis. Para exemplificar, contou que nos Estados Unidos conheceram pessoas que não aceitam que o país seja governado por um negro e outras a favor do armamento como proteção da família, mesmo que os números não apontem isto como política de segurança mais eficaz. “Não estamos lá para julgar ou responder questões, mas para compreender o que move as pessoas. Quem se permite participar do programa sente confiança de que a gente está ali para trocar, ouvir, entender e discordar, mas dentro de um questionamento mais amplo do ser humano”, ressaltou.
Questionado pela plateia em relação ao que mais marcou durante as viagens, Fran destacou as inúmeras barcas, lotadas de refugiados, aportando na areia. Contou que, enquanto os jornalistas registravam, ele e sua equipe auxiliavam na retirada de crianças, idosos, mulheres e homens da água. Visivelmente emocionado ao recordar que, durante essas ocasiões, se lembrava da filha de cinco meses, pediu desculpas por não conseguir concluir sua fala. “Vergonha seria não se emocionar”, interrompeu Fábian, que mediou as quase duas horas de painel. Para finalizar, Fábian fez referência ao conceito da campanha deste ano do SET e os questionou se ambos consideravam-se loucos pelo que faziam. A dupla respondeu que, sim, são apaixonados por todos os projetos que desenvolvem e pelo trabalho que realizam. “A paixão é louca mesmo”, brincou Cebrian.
A segunda palestra do SET ‘Metendo o pé: Pra quem é louco pelo que faz’ será ministrada por Andressa Foresti e Juliana Machado, do blog As Famintas; David Reis, da Pyra Filmes; João Ramos, do Pague com uma foto; e o cineasta Presi de Moraes – todos ex-alunos da Famecos. O painel acontece neste momento, no Centro de Eventos.

