Reflexões sobre o que continuará sendo exclusivamente humano diante do avanço da Inteligência Artificial marcaram a mais recente edição da Coonline. A confraria recebeu o publicitário Bruno Melo para uma conversa sobre os efeitos da tecnologia nos hábitos, no trabalho e na cognição, além dos desafios provocados por uma transformação que, segundo ele, ocorre em velocidade sem precedentes e ainda sem um ponto de chegada claro. “Talvez a pergunta mais difícil seja: o que continuará sendo exclusivamente humano após essa revolução?”, provocou.
Com experiência em Tecnologia da Informação (TI), planejamento estratégico e estudos em Filosofia, Melo afirmou que a principal diferença da atual revolução tecnológica está no fato de a IA ampliar capacidades cognitivas, e não apenas físicas ou de comunicação. Para ele, um dos maiores riscos está na “terceirização do pensamento”, quando usuários deixam de exercitar análise, escrita, formulação de perguntas e tomada de decisões.
“A cognição não pode ser entregue para a Inteligência Artificial. O raciocínio sobre o problema, a leitura crítica, o aprendizado, o tato do mundo e a experiência adquirida são humanos”, defendeu.
Além disso, o publicitário abordou os impactos da tecnologia sobre profissionais da Comunicação e reconheceu que determinadas funções já vêm sendo absorvidas pela automação. Ainda assim, considera que o principal debate deve estar na forma como as ferramentas serão incorporadas às rotinas.
“A pergunta central não é o que a Inteligência Artificial fará com o Jornalismo. A pergunta central é o que o Jornalismo fará com a Inteligência Artificial”, afirmou. No próprio trabalho, Melo diz utilizar diferentes sistemas para automatizar tarefas operacionais e organizar grandes volumes de dados, mantendo sob responsabilidade humana a interpretação, a estratégia e as decisões criativas.
Diferencial humano
Ao longo do encontro, ele ainda explicou como a escolha das palavras nos comandos pode alterar as respostas dos modelos generativos e apresentou técnicas para reduzir características recorrentes dos textos produzidos por IA. Apesar dos avanços, Melo sustentou que repertório, experiências e conexões individuais permanecem como diferenciais humanos. “A capacidade do ser humano de ser indivíduo, de ser um universo individual dentro de si mesmo, é uma capacidade que eu considero irreproduzível”, concluiu.
Confira a conversa:

