A perda de rigor com a língua portuguesa no Jornalismo, impulsionada pela busca por audiência nas plataformas digitais, preocupa o professor, escritor e consultor do Sistema Globo de Jornalismo Sérgio Nogueira. Em reunião virtual da Coonline, o educador também abordou o uso excessivo de estrangeirismos, os modismos incorporados ao vocabulário e o papel da imprensa na formação linguística da população.
Há mais de 30 anos prestando consultoria ao Sistema Globo, Nogueira afirmou perceber uma diminuição dos cuidados com o idioma dentro dos veículos de Comunicação. “O jornalismo não deveria abrir a guarda em nome de links, em nome de cliques”, declarou.
O professor recordou que as redações já contaram com controles mais rigorosos sobre a linguagem utilizada. Como exemplo, citou sua experiência no jornal O Globo, onde começou a atuar como consultor na década de 1990. Na época, divergências entre o manual de redação e o uso corrente do idioma eram discutidas com a direção do veículo.
Influência sobre o vocabulário
Durante a conversa, o professor ressaltou que os meios de Comunicação ajudam a definir as palavras e expressões incorporadas pelo público. Essa influência, segundo ele, amplia a responsabilidade de jornalistas, especialmente diante da velocidade de circulação dos conteúdos na internet.
“O que me preocupa somos nós, é o jornalismo, porque a força que nós temos, tanto no rádio, na televisão e agora principalmente na internet, faz a cabeça das pessoas e forma o nosso vocabulário”, afirmou.
A entrada de palavras estrangeiras no português foi outro tema debatido. Nogueira considera impossível impedir completamente esse processo, mas criticou o uso de expressões em inglês quando já existem equivalentes claros em português. Ele citou palavras como “insight”, “paper” e “spoiler”, além das siglas adotadas para designar cargos empresariais.
Ao longo do episódio, o professor também relembrou sua participação no quadro ‘Soletrando’, do ‘Caldeirão do Huck’, e comentou sobre o avanço da inteligência artificial na produção de textos. Embora reconheça aplicações da tecnologia em áreas como Medicina e Tecnologia, disse manter restrições ao seu uso na Educação e na formação de novos profissionais.
Assista ao episódio completo:

