O Correio do Povo e a Rádio Guaíba encerraram a cobertura da Copa do Mundo de 2026 com aprendizados que deverão permanecer em suas operações esportivas. Nos dois veículos do Grupo Record RS, o torneio estimulou a adoção de formatos adequados às condições de cada operação: enquanto o jornal recorreu a cadernos digitais para superar as limitações de horário e espaço da edição impressa, a emissora apostou em boletins e em uma atração interativa para acompanhar as partidas.
Sem os direitos de transmissão, a rádio definiu como objetivo manter o torneio presente na programação e oferecer aos ouvintes acesso contínuo às principais informações da competição. “A todo momento, era colocada na programação alguma coisa com relação à Copa”, relatou o coordenador de Esportes da Guaíba, Rafael Pfeiffer. Para ele, a distribuição do conteúdo entre programas e plataformas permitiu que a rádio cumprisse a sua proposta.
Um dos formatos adotados foi o ‘Copa na Guaíba’, composto por pequenas entradas espalhadas pela grade. Quando não havia partidas, os boletins apresentavam as principais informações do dia. Durante os jogos, assumiam o formato de plantão e interrompiam a programação sempre que surgia um acontecimento relevante.
Experiência de segunda tela
A principal surpresa da cobertura, porém, foi o ‘Torcendo com a Guaíba’. Durante o programa, os comunicadores da rádio assistiam às partidas fazendo comentários e promovendo a participação dos ouvintes. De acordo com Pfeiffer, a emissora não sabia inicialmente como o público receberia a proposta, mas a interatividade cresceu ao longo da competição.
O coordenador explicou que o formato foi planejado para funcionar como segunda tela. Em vez de disputar a audiência de quem assistia aos jogos em outras plataformas, a rádio buscou complementar a experiência com análise, conversa e interação. “Nosso objetivo não era tirar público de outros veículos, mas ser uma segunda tela, já trabalhando com a realidade atual do mundo, em que ninguém está focado em uma só tela”, explica Pfeiffer.
A resposta obtida durante o Mundial levou a Guaíba a incorporar o formato ao calendário esportivo. O ‘Torcendo com a Guaíba’ deverá acompanhar partidas que não envolvam diretamente Grêmio ou Internacional, mas que despertem interesse do público ou tenham impacto sobre a dupla Gre-Nal.
Para Pfeiffer, a experiência demonstrou que a ausência da transmissão ou de uma equipe no local não impede um veículo de participar de um grande acontecimento esportivo. O legado que fica, destacou ele, é a criatividade para criar produtos compatíveis com os recursos disponíveis e com a forma como o público consome conteúdo atualmente. “A notícia e a informação estão em primeiríssimo lugar, mas não esquecendo que o público hoje também quer entretenimento”, concluiu.
Uma cobertura em números
Durante quase 40 dias, o Correio do Povo produziu mais de 700 páginas, distribuídas em mais de 36 edições de cadernos digitais dedicados ao Mundial. O conteúdo foi desenvolvido paralelamente à cobertura publicada no impresso, no site e nas redes sociais e contemplou as 104 partidas da competição. Cada jogo recebeu uma apresentação e, posteriormente, páginas destinadas ao resultado e aos seus desdobramentos. Sem necessidade de assinatura, essas edições estão abertas para todos os leitores no site do CP.














Para tornar isso possível, a operação envolveu o download de mais de mil fotografias, o desenvolvimento de mais de 210 gráficos explicativos e a geração de mais de mil arquivos em PDF. Os cadernos eram produzidos depois da finalização de todos os jogos do dia, inclusive daqueles encerrados após o horário de fechamento da edição impressa.
Para o editor de Esporte do Correio do Povo, Carlos Corrêa, o formato conciliou a agilidade exigida pela cobertura com a função documental do jornal. “A Copa do Mundo é um acontecimento histórico. E a gente sempre tem em mente que, além da missão de noticiar com agilidade, um jornal também tem o seu papel de ser um documento. Como tínhamos essa limitação do espaço e do horário — os jogos terminavam muito tarde —, o caderno digital foi uma solução natural. Era um modelo que já tinha dado certo nos Jogos Olímpicos de 2024”, ressaltou.
Com projeto gráfico desenvolvido pelo diagramador Pedro Dreher, os cadernos receberam identidade visual própria. Além de organizar o volume de resultados e análises, o desenho das páginas buscou diferenciar a produção digital do conteúdo publicado diariamente na edição impressa. Na avaliação geral, os resultados obtidos mostram que o torneio não serviu apenas para atrair usuários durante um evento pontual, mas também para ampliar o contato diário do público com a marca.

